Entendendo o leite de cabra transgênica contra Aids e câncer Manaus, Amazonas

Conheça os benefícios do leite de cabra transgênica em tratamentos de AIDS e câncer. O leite de cabras geneticamente modificadas poderá ser usado no combate a doenças imunitárias como, a Aids, e em pacientes com câncer que são submetidos à radioterapia e quimioterapia. A produção do leite de cabras, adicionado da proteína Fator de Estimulação de Colônias de Granulócitos humano (hG-CSF), é o principal objetivo da pesquisa.

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Entendendo o leite de cabra transgênica contra Aids e câncer

Editoria: Vininha F. Carvalho24/6/2008

Leite de cabra transgênica pode ajudar pacientes com Aids e câncer

O leite de cabras geneticamente modificadas poderá ser usado no combate a doenças imunitárias como, a Aids, e em pacientes com câncer que são submetidos à radioterapia e quimioterapia. A produção do leite de cabras, adicionado da proteína Fator de Estimulação de Colônias de Granulócitos humano (hG-CSF), é o principal objetivo da pesquisa "Caprinos Transgênicos como Biorreatores para Produção de Fármacos de Interesse em Saúde Humana".

O trabalho é desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Fisiologia e Controle da Reprodução (LFCR), da Universidade Estadual do Ceará (Uece) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Academia de Ciências da Rússia.

Na prática, o que se pretende é utilizar esses animais para a produção de vários tipos de medicamentos. O primeiro passo para a conclusão do projeto já foi dado. Este mês, um casal de cabras da raça Canindé, nativa da região nordestina, completa três meses.

O que torna a fêmea Camilla e o macho Tinho animais tão especiais é o fato de eles terem sido os únicos, entre 23 nascidos em laboratório, a expressar a mudança genética introduzida pelos pesquisadores.

O nascimento desses animais transgênicos também coloca o Brasil como o único país da América Latina a dominar a técnica e a conseguir gerar caprinos geneticamente modificados. Os caprinos que nasceram em março deste ano no laboratório da Universidade receberam, ainda na fase embrionária, o gene humano que deve permitir que produzam em seu leite a proteína hG-CSF.

Essa proteína atua na prevenção da neutropenia, ou seja, na queda dos níveis de células brancas (neutrófilos), que fazem parte do sistema imunológico. A redução dessas células é comum em portadores de doenças como Aids ou em pacientes que são submetidos à quimioterapia ou radioterapia. Estudos recentes também apontam para a utilização do hG-CSF na regeneração de áreas pós-enfarte do miocárdio e em isquemia cerebral.

O coordenador do projeto e pesquisador do LFCR, Vicente José Freitas, comemora os primeiros resultados. De acordo com ele, a opção pela proteína hG-CSF se deve justamente à importância terapêutica dessa substância e à ampla possibilidade de produção de medicamentos para doenças graves.

Freitas destaca que, se as expectativas se confirmarem, em breve, será possível produzir no Brasil medicamentos a base de hG-CSF a custo 50% menor do que existe no mercado. Além do menor preço, o medicamento sintetizado a partir do leite de cabra, de acordo com Freitas, deve diminuir os efeitos colaterais nos pacientes.

"A intenção é estabelecer parceiras com outros órgãos de governo, para que se possa produzir medicamento a baixo custo, o que beneficiaria diretamente a população mais carente", destaca.

O pesquisador explica que o próximo passo da pesquisa será a indução da lactação da cabra para que se possa analisar os níveis de expressão da proteína humana no leite. Caso os resultados se confirmem, Vicente Freitas acredita que será possível iniciar a fase de reprodução dos animais para a formação de um rebanho transgênico nos próximos meses. Esse processo, segundo Freitas, poderá ser acelerado, já que a transgene foi verificada em um macho e uma fêmea.

O pesquisador explica que o cruzamento natural do casal com as características alteradas eleva a possibilidade de obtenção de um filhote geneticamente modificado para 75%. Freitas explica que também serão adotados outros métodos, como a reprodução assistida, através da transferência de embriões fecundados para outras "mães", até a clonagem. Em sua avaliação, no máximo em três anos, será possível formar um rebanho de até 100 caprinos geneticamente modificados.

"Através das matrizes e reprodutores, podemos, rapidamente, formar um rebanho transgênico produtor de leite. Esse leite será então beneficiado para isolamento da proteína e preparo do medicamento".

Após a produção do leite contendo a proteína humana, serão realizados testes pré-clínicos e clínicos. Nesta etapa, será necessária a obtenção de novas autorizações, que são concedidas pela Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNbio) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A pesquisa "Caprinos Transgênicos como Biorreatores para Produção de Fármacos de Interesse em Saúde Humana" foi aprovada em edital da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio). O projeto recebeu cerca de R$ 1,5 milhão em recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT). A previsão é de que até o final dos trabalhos sejam repassados mais recursos do MCT e de outras fontes de financiamento.

Tecnologia:

O secretário de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped/MCT), Luiz Antonio Barreto de Castro, destaca que os resultados da pesquisa demonstram a viabilidade da rota tecnológica escolhida. Segundo ele, o caminho está aberto para outros projetos importantes. "É possível realizar outras expressões no leite de proteínas importantes como Fator 9 IX de coagulação, que é necessário para o hemofílico. Esse método já foi testado em camundongos e agora poderá ser usado em caprinos", disse.

Luiz Barreto ressalta ainda que, com a mesma técnica, será possível produzir leite para combater a diarréia neonatal. "A mesma rota tecnológica poderá ser usada para expressar no leite de caprinos substâncias que tenham a capacidade de neutralizar ação de patógenos que causam a diarréia neonatal, como as proteínas humanas lisozima e lactoferrina, que agem na parede celular e matam a bactéria", disse.

Segundo Barreto, ao final da pesquisa, a intenção é possibilitar a industrialização do leite em embalagem longa vida, para que possa ser comercializado em outras partes do mundo, como no continente africano, onde também ocorrem casos de morte por diarréia neonatal. "Essa pesquisa permitirá combater a mortalidade infantil através da ingestão direta do leite geneticamente modificado", destaca.

Experiência:

A construção do DNA que está sendo aplicada nas cabras foi inicialmente testada em camundongos na UFRJ. Nessa fase foram obtidas algumas fêmeas transgênicas, que expressaram a proteína no leite.

No caso da pesquisa realizada na Universidade Estadual do Ceará, as cabras foram superovuladas e tiveram os embriões colhidos, que depois foram microinjetados com uma construção gênica para o hG-CSF. Na seqüência, os embriões foram transferidos para cabras receptoras sem raça definida. Após o nascimento, as crias foram testadas para verificar a presença do gene.

O exame de DNA que fez a detecção dos transgênicos foi realizado no próprio laboratório da UECE em um termociclador. Para confirmação do resultado, as amostras das orelhas dos 23 cabritos nascidos entre os dias 10 e 20 de março foram enviadas para o Laboratório de Animais Transgênicos da UFRJ para realização da contraprova.

Raça:

A experiência foi realizada com cabras das raças Saanen, de origem suíça, e Canindé, nativa do Nordeste. Dos 23 caprinos nascidos no laboratório, 13 são machos e 10 fêmeas; cinco da raça Saanen, e 18 Canindés. Desse total, três expressaram a mudança genética: o casal da raça Canindé, e um animal da raça Saanen, natimorto.

O coordenador da pesquisa, Vicente Freitas, considerou positiva a reação da raça Canindé ao experimento. A espécie, por produzir menos leite que as raças européias, acabou entrando em extinção. Agora com a pesquisa, esses animais, segundo Freitas, podem ser revalorizados devido às propriedades que poderão ser adicionadas ao leite. "Os caprinos da raça Canindé se mostraram mais saudáveis do que os da raça Saanen. Com isso, abrimos uma nova perspectiva para a criação desses animais", destaca.

Fonte: Rafael Godoi - Assessoria de Comunicação do MCT

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