Entenda sobre reabilitação odontológica para alcoólatras Londrina, Paraná

"O efeito do alcoolismo crônico sobre a densidade óssea é pouco compreendido em seres humanos", afirma o especialista em estomatologia bucal. O autor Helton Miyoshi, explica os aspectos negativos causados aos pacientes alcoólatras durante tratamentos dentários. Ele alerta que, as disfunções hepáticas podem causar sangramentos elevados durante cirurgias.

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Entenda sobre reabilitação odontológica para alcoólatras

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O consumo de drogas é um fenômeno conhecido como “drogadição” sendo comum e crescente em sociedades ocidentais, com incremento em faixas etárias cada vez mais precoces nas últimas décadas. A dependência de maconha, cocaína, “crack” e heroína promovem efeito combinado quando adicionado ao álcool, não obstante um ou mais tipos de drogas tem sido comum entre estes usuários precoces.

Notoriamente, consumos de etílicos são uns dos hábitos sociais mais antigos e disseminados entre as populações, não só por estar associado a ritos religiosos, mas também por se atribuir a ele uma variedade de efeitos como calmante, afrodisíaco, estimulante de apetite e desinibidor (Cardin et al., 1986 apud Oliveira e Luis, 1996)3.

Apesar do alcoolismo ser uma droga legal, apresenta-se como um drama na maioria das famílias sendo difícil a reabilitação desses pacientes. O consumo abusivo de aguardente de cana-de-açúcar no Brasil apresenta a elevada prevalência de 6% para o alcoolismo na população brasileira (Almeida & Coutinho, 1993)1.

O álcool é uma substância que apresenta uma estrutura química apresentando lipo e hidrossolubilidade, sendo rapidamente absorvido após sua ingestão. Sua absorção ocorre após cerca de 30 a 60 minutos, sendo que 80% da absorção em sistema intestinal e 20% pelo estômago. Sua metabolização ocorre no fígado, sendo alta sua concentração em tecidos vascularizados como sistema nervoso central.

Tópicos de referência do alcoolismo:


  • Dependência fisiológica determinada em crise de abstinência, após interrupção no consumo.

  • Tolerância aos efeitos.

  • Doença associada (degeneração cerebelar, hepática).

  • Prejuízo profissional.

  • Prejuízo nas relações afetivas, familiares, sociais etc.

  • Falta de tolerância com amigos que incentivam sua recuperação.

  • Depressão.

  • Amnésia.

  • Estigmas referentes ao álcool “tremores, odor, hálito entre outros”.

  • Exames laboratoriais alterados (TGO, TGP, GGT, amilase, acido úrico, triglicérides).

  • Acidentes sem causa definida.

  • Neuropatias.


Os quadros clinicos em pacientes com alcoolismo são normalmente observados em crises agudas, onde ocorre alteração comportamental em afeto, euforia, agressão, depressão, com alteração no nível de consciência e eventualmente coma. Os déficits de reflexos, atenção e memória são rotineiros com alta concentração em sistema sanguíneo.

Quando em estagio avançado de dependência, algumas hipóteses diagnósticas diferenciais podem ser de grande valia ao profissional que estiver avaliando esse paciente: TCE, meningites, hipoglicemias, encefalopatias, deficiência de vitamina B1.

Pacientes alcoólatras podem apresentar quadro de hepatopatias, crise de abstinências com episódios de delirium tremens quando do uso regular do álcool.

Não é objetivo do artigo explicar o tipo de tratamento medicamentoso desses pacientes, visto que orientação médica é a opção de escolha, entretanto cabe ao profissional da saúde “odontólogos, psicólogos entre outros” orientar quanto a patologia destrutiva do alcoolismo, explicando eventualmente a necessidade de internação semi- intensiva e medicações ansiolíticas quando em crise de síndrome de abstinências prescritas pelo profissional da área médica responsável pelo internado.

O efeito do alcoolismo crônico sobre a densidade óssea é pouco compreendido em seres humanos, entretanto valores de densidade óssea radiográfica reduzida no terço médio de côndilo do fêmur em animais submetidos ao alcoolismo crônico foram relatadas (Silva, A et al., 2007)4.

Especial atenção na prática cirúrgica deve ser dada pelo dentista quando da indicação de reabilitação cirúrgica com implantes, uma vez que o potencial paciente apresente associação de tabagismo e etilismo.

Apesar de a literatura relatar o alto índice de sucesso em implantes dentários, existem taxa de falhas que ainda podem representar no aumento do tempo terapêutico, gerando custos adicionais e causando desconforto para o paciente e constrangimento para o profissional (Bezerra, 2002)2 .

O paciente sabidamente tabagista apresenta um reduzido aporte de vascularização óssea, causando alteração na atividade dos leucócitos polimorfonucleares, resultando em baixa mobilidade, redução de atividade de quimiotaxia e fagocítica. Quando observados esses fatores, nota-se uma redução da resistência a inflamações e infecções e o comprometimento do potencial de cicatrização.

O abuso no consumo de álcool e drogas representam uma contra-indicação para a terapia com implantes osseointegrados. A cooperação e a motivação por parte deste grupo de pacientes devem ser encaradas como impraticáveis, sendo que pacientes em geral estão inadequadamente nutridos e com as respostas imunológicas altamente comprometidas (Spiekermann et al., 2000)5.

Quando observados pacientes que são alcoólatras, uma anamnese deve ser direcionada quanto a eventual probabilidade de ser portador de cirrose hepática, que é catalogada como a terceira causa de óbitos em homens entre 35 e 54 anos.

Pacientes com histórico de alcoolismo devem ser questionados antes de candidata-los a cirurgias de implantes dentários, pois muitas das disfunções hepáticas podem causar sangramentos elevados durante ato cirúrgico. Solicitação de exames de HC, TP e TTp podem estar alterados, entretanto especial atenção deve ser ministradas a taxa de bilirrubina e albumina sérica durante planejamento com reabilitação de implantes osseointegrados pelo cirurgião dentista. Esquema de tratamento deve ser elaborado com atenção e associação com médico caso exista necessidade de sedação, principalmente quando a utilização de PRP não for descartada no ato operatório.


  1. Almeida LM e Coutinho ESF. Prevalência de consumo de bebidas alcoólicas e de alcoolismo em uma região metropolitana do Brasil. Revista de Saúde Pública. 1993; 27(1).



  1. Bezerra FJB. Acidentes e complicações em técnicas reconstrutivas. In: Bezerra FJB, Lenharo A. Terapia Clínica Avançada em Implantodontia. São Paulo: Artes Médicas, 2002. p.291-313.


3. Oliveira EL, Luis MAV. Distúrbios relacionados ao álcool em um setor de urgências psiquiátricas. Ribeirão Preto, Brasil (1988-1990). Caderno de Saúde Pública. 1996; 12(2).


  1. Silva, A R S et al. Análise da densidade óssea radiográfica de ratos submetidos ao alcoolismo crônico utilizando imagem digital. Revista Odonto Ciência – Fac. Odonto/PUCRS, v. 22, n. 55, 2007.



  1. Spiekermann H, Donath K, Hassell T, Jovanovic S, Richter J. Pré-requisitos. Implantologia. Porto Alegre: Artmed; 2000.

helton miyoshi

∗Graduação em Odontologia UCCB
∗∗especialista em Estomatologia Bucal;
∗∗∗pós-graduação em Odontologia Hospitalar/ específico em CTBMF;

Area de atuação: Ciências da Saúde- odontologia/ cirurgião- dentista com atuação em clinica integrada (geral), diagnóstico e semiologia bucal, cirurgia bucomaxilofacial e implantodontia.

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