Entenda sobre o alcoolismo Manaus, Amazonas

O alcoolismo gera dependência física tanto quanto psicológica. O autor classifica grupos de pessoas, cujos aspectos psiquicos são mais vulneráveis a bebida. " O Hábito de ingerir bebidas alcoólicas diariamente, ou mesmo em gins de semana, de modo compulsivo, é definido com alcoolismo", define o autor.

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Entenda sobre o alcoolismo

O álcool é uma substância de natureza química, que quando ingerida irracionalmente causa graves danos à saúde física e mental do indivíduo. Algumas conseqüências vão desde a perda involuntária do controle na intoxicação aguda e ressaca, até graus diferentes de dependência física e psicológica da substância. Entre os distúrbios físicos, sociais e psicológicos causados pelo alcoolismo temos os crimes violentos e impulsivos, discórdia conjugal e familiar, depressões profundas, sem falar nos acidentes e mortes automobilísticas nas estradas, suicídios e loucura. Entre as conseqüências psicofisiológicas e orgânicas encontramos o delirium tremens, as alucinações, a gastrite, a desnutrição e as deficiências de vitamina B. Tal deficiência, se moderada, tem efeitos reversíveis sobre as fibras nervosas periféricas, entretanto as deficiências graves afetam o cérebro, levando à psicose de Korsakoff – doença caracterizada por uma incapacidade de registrar acontecimentos externos ou consolidá-los na memória. Isto leva à fala desorganizada e confabulação – mistura de fatos e fantasias na memória. Finalmente, o alcoolismo leva à cirrose – inflamação, fibrose e endurecimento do fígado – que é freqüentemente fatal.

Não é fácil determinar quando a bebida alcoólica se tornará um problema, para determinadas pessoas. Um alcoólatra pode começar com as bebidas sociais e depois, sutilmente, supervalorizar a diminuição da tensão que o álcool dá, aumentando gradativamente seu consumo, usando um trago pra criar coragem, ou para evitar tensões internas ou exigências externas. É deste modo que ele generaliza e aprende a usar o álcool para ocasiões cada vez mais variadas de pequenas frustrações. À medida que o uso se torna maior, ocorrem apagamentos ou amnésias para acontecimentos durante a intoxicação. Os períodos de depressão, remorso e culpa aumentam, acentuados por tragos furtivos. São comuns as mentiras e os álibis para justificar a bebida. A depressão e a ressaca depois da bebida levam a um maior consumo e a uma depressão cada vez mais profunda. A fase crucial é uma perda definitiva do controle da bebida, caracterizada pelo consumo solitário, bebedeira incontrolável, justificativas posteriores e perda do amor-próprio. Nesta fase o alcoólatra começa a organizar secretamente o dia, sempre em torno da necessidade de proteger o seu estoque de álcool.

São comuns os ressentimentos quase paranóides e a transferência da culpa para o destino e a família. Esta situação pode desenvolver-se em um período de 10 anos ou mais, crescendo até que as crises aumentam de freqüência e intensidade e o beberrão afunda e, por fim encara os acontecimentos com relutância.

Seguramente as pesquisas em todo o mundo indicam que em cada 100 indivíduos alcoólatras, no mínimo 20% tenham distúrbios psiquiátricos; para estes, o álcool é um autotratamento mal digerido. Algumas pessoas são muito sensíveis a pequenas quantidades de álcool e rapidamente perdem o controle de seus impulsos agressivos.

Para outros, um único trago leva à perda de controle para ingestão posterior. Os membros dos Alcoólicos Anônimos costuma dizer, “um gole é bastante e 20 não bastam”. Eles chamam essa vulnerabilidade permanente de alergia – uma espécie de tentação embutida – que significa a não existência de cura permanente para alcoólatras, mas apenas mais um dia de abstinência bem-sucedida. Tanto os AA como alguns especialistas falam do alcoolismo como uma doença. Penso que se trata de uma difusão de comportamento e ao falar nestes termos, julgo ser possível empregar métodos de reabilitação plenamente viáveis.

Ao elaborar minhas pesquisas sobre o alcoolismo, conversando com especialistas, obtive deles a confirmação de que alguns grupos de alcoólatras tinham características de personalidade muito semelhantes. Freqüentemente os alcoólatras provêm de lares desfeitos e os alcoólatras masculinos se identificam com um genitor alcoólatra. Alguns apresentam imaturidade sexual, conflitos homossexuais latentes, raiva reprimida, atividades acentuadamente auto-destrutivas e uma baixa tolerância a frustrações, associados com uma forte tendência perfeccionista. Alguns alcoólatras apresentam também traços de timidez excessiva, ou gregarismo (aglomeração de indivíduos) associado com uma forte inibição moralista para o qual o álcool pode significar um alívio. Estas observações descrevem os padrões de psicologia e personalidade comumente encontrados mas não distinguem entre causa e efeito. Ao identificar estresses desencadeantes ao invés de fatores que predispõem, alguns especialistas notaram a sensibilidade de muitos alcoólatras à frustração ao mínimos reveses para o seu amor-próprio. Este orgulho muito sensível e vulnerável parece caracterizar um boa parte dos alcoólatras.

Existem sólidos indícios de que o alcoolismo também pode ser uma doença familiar. Durante 75 anos, psiquiatras notaram esta tendência, relatando índices de alcoolismo cinco vezes superior ao normal em pais e irmãos de um paciente. Estudos em gêmeos indicam que, se um dos gêmeos é alcoólatra, a probabilidade do gêmeo idêntico ser alcoólatra é de 60 por cento.

Um fato é bastante claro: para o indivíduo vulnerável, o álcool é um poderoso reforço. Este poder reforçador do álcool pode explicar por que é extraordinariamente difícil abandoná-lo. A capacidade do alcoólatra em obter um alívio espontâneo, em corrigir particularmente a realidade com um simples trago e assim evitar as conseqüências e necessidades é, na verdade, um motivo poderoso. Todos os viciados encontram conforto em uma experiência familiar; o simples ato de tirar baforadas de um cigarro ou deglutir uma pílula é uma modalidade para exercer um controle sobre o que acontecerá nos próximos segundos ou minutos. Estes atos servem como barreiras, ligeiras porém evidentemente muito valiosas contra a depressão, angústia ou qualquer outra sensação desagradável que o indivíduo deseja evitar.

Esta supervalorização do controle particular reflete um elevado grau de insegurança e de racionalização dos desejos. Ela parece repousar em uma noção profundamente arraigada de onipotência pessoal – idéia de que alguém possa ser invulnerável às conseqüências indesejáveis da existência, tais como aborrecimentos, dores, etc. É como se a pessoa quisesse dizer: “isso não pode me acontecer”. É característico do viciado acreditar que pode assumir o risco e de algum modo evitar as conseqüências tão evidentes para os outros. Isto acontece porque a atenção do viciado se focaliza no pseudocontrole contínuo do seu próprio estado – um controle que valoriza excessivamente.

Esta capacidade intrínseca de fugir à realidade e manipular os estados de prazer é, pelo menos parcialmente, formada pela aprendizagem e experiência durante seu desenvolvimento. Muitos médicos formais e informais de defesa ajudam à criança em crescimento e ao adulto a regular o prazer e a dor, o comportamento maternal fornece ás crianças o conforto e as barreiras contra o inesperado até que elas adquiram uma capacidade para enfrentá-lo. Estas práticas e crenças familiares proporcionam modelos básicos para o consumo de produtos químicos e alimentos bons e maus, definindo as ocasiões para seu uso. Esta é uma das razões pelas quais o consumo de álcool é acompanhado por tantos reforços de grupo. Por exemplo, nas igrejas, existem liturgias e rituais acompanhados do consumo de vinho. A ligeira modificação do estado induzido pelo álcool predispõe o indivíduo a comemorar a ocasião de modo especial, e colocá-lo em uma disposição de espírito diferente e a compartilhar de uma comunhão compreensível. O grupo define, deste modo, a ocasião para beber, a razão para sentir-se diferente e a resposta apropriada para esta diferença. A definição do grupo sobre o que é apropriado orienta, em grande parte, o que poderá acontecer antes, durante e depois da bebedeira. Em uma cultura altamente reprovadora da intoxicação, o bebedor errante pode ser submetido à culpa e até ao isolamento por apenas um passo em falso. Os índios americanos, por serem extremamente vulneráveis aos efeitos da aguardente, estabeleceram o seguinte provérbio: “um índio pode estar bêbado antes mesmo de tomar seu primeiro trago”. Neste caso, a decisão e a expectativa representam a chave para muitos efeitos da droga, seja ela maconha, cocaína ou álcool.

O que se sabe também sobre o alcoolismo é que o álcool é gerador de dependência física tanto quanto psicológica, sobretudo por ser necessárias doses cada vez maiores para produzir os efeitos desejados pelo alcoólatra. Ocorre um fenômeno conhecido como tolerância no organismo das pessoas viciadas, sobretudo em drogas psicotrópicas, fazendo com que elas tenham após um uso regular, que usar doses 20, 30, 40 ou mesmo 50 vezes maiores que a dose inicial para produzir efeitos semelhantes. Há nos anais da medicina o registro curioso de um episódio ocorrido 100 anos antes de Cristo, num pequeno reino da Ásia Menor, conhecido como Ponto Euxino, onde governava o rei Mitridates. Aquele rei soube que havia um complô para assassiná-lo envenenado por arsênico. Naquela época os estudiosos sabiam que era possível tornar o organismo tolerante a qualquer substância mortífera, e aconselharam o rei que ingerisse diariamente pequeninas dosagens de arsênico a tal ponto que seu organismo ficasse habituado (tolerante) à droga venenosa, e deste modo seria difícil envenená-lo. Conta a história que Mitridates não morreu assassinado pela ingestão involuntária de arsênico... mas por uma punhalada traiçoeira.

O mitridatismo, como ficou sendo conhecido o desenvolvimento de tolerância, é um fator extremamente complicador que aparece com o uso regular de drogas. Isso indica que é necessário uma dosagem cada vez maior da droga para que sejam obtidos os mesmos efeitos. O álcool está incluído como uma dessas drogas potencialmente perigosas para desenvolver no organismo humano o mitridatismo.

Beber socialmente, em ocasiões propícias, em grupos organizados para comemorar algum evento, é algo saudável, tanto quanto jogar cartas por diversão. Entretanto, o hábito de ingerir bebidas alcoólicas diariamente, ou mesmo em gins de semana, de modo compulsivo, é definido com alcoolismo. Dependendo dos efeitos provocados pela ingestão do álcool, o alcoólatra terá uma classificação própria que vai até o ponto máximo conhecido como Delirium-tremens, que leva o indivíduo muitas vezes á morte, por insuficiência cardíaca, infecção pulmonar ou parada respiratória.

Como bloquear o desejo de beber irrefreadamente? Quais são as terapias que funcionam? Quais as instituições confiáveis que prestam auxílio aos alcoólatras? É possível reabilitar-se um indivíduo no extremos grau de dependência do álcool? Reponderei somente a esta última pegunta, neste momento. Sim, é perfeitamente possível que um indivíduo que tenha chegado ao último grau de dependência alcoólica recuperar-se. Conheço centenas de casos autênticos como este que irei agora relatar-lhe:

“Meu nome é Fernando e eu sou um alcoólatra. A princípio foi muito difícil para eu aceitar este rótulo pois julgava que alcoólatra era sinônimo de bêbado mau caráter, pessoa vadia e sem valor. Existem alcoólatras com estas qualidades, assim como existem aqueles que a despeito do vício, são pessoas honestas, bons cidadãos e dignos de respeito. Talvez eu fosse um deles e por isso me recusasse a aceitar o rótulo de alcoólatra. Antes de enfrentar o meu problema com o álcool eu era uma pessoa totalmente insegura. Buscava na bebida um ponto de apoio. Bebia antes de ir para o trabalho, quando tinha chance durante o expediente e, quando saía, ia para um bar e bebia até cair e ser arrastado para casa por minha esposa que ameaçava divorciar-se caso eu não parasse de beber. Prometi-lhe centenas de vezes que aquele seria o último trago, mas como de costume quebrava minha promessa. O álcool havia solapado minha força de vontade e eu recusava-me a admitir isso. Achava que pararia quando realmente quisesse... o pior é que sempre queria, mas não tinha forças. Foi então que uma luz surgiu no fundo do túnel, quando conheci um rapaz que morreu de cirrose hepática, provocada pelo álcool. Me dei conta de que dias antes estivemos juntos num mesmo bar e brindávamos à vida e à saúde. Agora ele havia morrido e não havia mais jeito. Eu tinha 23 anos e passado por mais de 10 empregos em 5 anos. Meu alcoolismo começou logo depois de servir no Exército, quando fiz amizade com um grupo de rapazes viciados. Procurei apoio os Alcoólicos Anônimos e hoje estou no meu 366° dia de sobriedade. Venho trabalhando para recuperar outros amigos e recuperei a felicidade conjugal já quase deteriorada. Sei que não foi fácil,mas o caminho da recuperação é mil vezes melhor que o caminho enlameado da dependência ao álcool. Venci esta droga e sei que vencerei sempre. Não vou desperdiçar meus 066 dias de sobriedade a troco de um trago mesquinho. Quero vencer um dia de cada vez, não mais que isso.”

Depoimentos como estes provam que ser viciado é muito mais que uma questão social, mas sobretudo uma questão de decisão pessoal. Enquanto uns se deixam levar e arrastar pelo vício, imaginando estarem perdidos, outros fazem o que você está fazendo agora, que é buscando a própria libertação e independência das drogas.

Mathias Gonzalez

Mathias Gonzalez, brasileiro e naturalizado australiano, autor de 132 livros dedicados à filosofia, psicologia e educação.
-> Psicólogo clínico, organizacional e escolar.
-> Pós-graduado em Psicopedagogia.
-> Especialista em Educação a Distânci.
-> Mestre em Gerontologia;
-> Mestre em Tecnologia de Comunicação e Informação.

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