Entenda o câncer de mama no sexo masculino Manaus, Amazonas

A enfermeira Cláudia Forlin explica como o câncer de mama evolui. Ela aborda o surgimento da doença nos homens. Conheça também um estudo específico sobre os casos ocorridos no sexo masculino.

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Entenda o câncer de mama no sexo masculino

INTRODUÇÃO:

 Câncer é o termo dado a um grupo de doenças que tem como característica comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas). A transformação da célula cancerosa é processo cuja duração é variável, podendo, inclusive, estender-se por vários anos. Invadindo outros órgãos e tecidos, as colônias cancerosas atrapalham o bom funcionamento do organismo podendo conduzir o doente a morte (INSTITUTO DO CÂNCER DRº ARNALDO, 2003).

A palavra câncer vem do latim ‘câncer’, que significa caranguejo. As células ao crescerem penetram nos tecidos vizinhos parecendo-se com patas de um caranguejo penetrando na areia. É por este motivo que o câncer é simbolizado pela figura de um caranguejo. Tumor maligno e neoplasma maligno são outros nomes dados as câncer (INSTITUTO DO CÂNCER DRº ARNALDO, 2003).

O câncer de mama, conhecido também como (neoplasia maligna), é originado a partir do crescimento desorganizado de células das glândulas mamárias. Tendo múltiplos fatores que, associados, podem iniciá-lo. Entre esses fatores de risco temos: a idade, a história familiar, patologia mamária previa, fatores hormonais, fatores ambientais, fatores genéticos (SILVA et al., 1998). E, Segundo Bassett et al (2000), no sexo masculino síndrome de Klinefelter, Ginecomastia, obesidade, lesão testicular, predisposição racial e irradiação previa do tórax.

Segundo Maciel e Andrade (2005), o risco de ter câncer de mama aumenta com a idade e ter tido mãe, uma irmã ou filha com esta patologia aumenta o risco para ter essa neoplasia. Assim, como ter tido esta neoplasia no passado. A terapia de reposição hormonal e a radiação no tórax também é um dos fatores predisponentes para desenvolver a neoplasia. Segundo Silva et al (1998) relacionados aos fatores ambientais estão: o padrão alimentar, obesidade, ingestão de ácidos graxos saturados, etilismo e exposição a agentes químicos. E, nos fatores genéticos os genes: o BRCA-1 e o BRCA-2 atuam como supressores de tumor, consertando alterações no DNA. ‘ São dois dos maiores genes do genoma humano e as proteínas que fabricam interagem com vários outros produtos da célula’. Portanto, todo ser humano traz nas células somáticas, duas cópias de cada um dos genes BRCA. Se alguém nasce com uma cópia modificada, qualquer mutação ao acaso na cópia sadia poderá levar ao câncer (SANTOS, 1999).

A Sidrome de Klinefelter é uma condição cromossômica que reflete uma diminuição dos níveis de testosterona. Há uma incidência 20 vezes maior de síndrome de Klinefelter nos pacientes com câncer de mama, registrando-se um risco de 3% nos homens com esta síndrome (SMELTZER et al., 2002; MOURÃO NETTO, 1998).

A ginecomastia é o aumento da mama masculina devido à proliferação ductal e de estroma benigna, literalmente assumindo forma feminina. Pode ser fisiológica ou deve-se a doenças subjacentes, incluindo efeito medicamentoso. Apresenta-se como um aumento uni ou bilateral, simétrica ou assimétrica bilateralmente (BASSETT et al, 2000).

Segundo o oncologista Renato Santos (citado por CECOPOSTI, 2004) os homens também têm células mamárias, porém, não se desenvolvem devido a estímulos hormonais diferentes. São estas células que sofrem transformações malignas, originando o câncer de mama no homem.

O objetivo do presente trabalho foi descrever, o conhecimento de alunos de uma universidade privada sobre a ocorrência do câncer de mama no sexo masculino.

O carcinoma que se origina na mama masculina é raro, embora sua incidência ainda seja considerada baixa (COTRAN et al., 2000). Questiona-se qual o nível de conhecimento de alunos de uma universidade privada sobre a ocorrência do câncer de mama no sexo masculino? Segundo Oliveira (2000) para cada 100 mulheres com câncer de mama, um homem é afetado (1%). Sendo mais freqüente na faixa etária de 50/60 anos de idade (PROJIS, 2004) e rara antes dos 35 anos (LINS, 2003).

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), (citado por MIHALEFF, 2003), nos últimos 56 anos, 111 casos foram notificados no hospital e, apesar dos baixos números a doença vem preocupando os especialistas . Os Norte-Americanos calculam que 1.400 homens serão atingidos pela doença e 400 deverão morrer em decorrência dela (OLIVEIRA, 2000).

Segundo Mourão Netto (1998), a etiologia do câncer de mama masculino é pouco definida, assim como na mulher. Porém sabe-se que os sinais clínicos observados são: Nódulo retro aureolar, consistência dura, indolor; retração do mamilo; ulceração do mamilo, descarga mamilar sanguinolenta e prurido mamilar.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer , (1997 citado por IMAGINIS, 2005), os tipos mais comuns de câncer de peito masculino são: IDC (Carcinoma Ductal Invasivo); DCIS (Carcinoma Intraductal); Carcinoma Inflamatório e Doença de Paget.

As formas mais eficazes para a detecção precoce do câncer de mama são: O auto-exame, o exame clínico e a mamografia (MAMAMIGA, [Ca. 2005]). O auto-exame é a técnica por meio da qual examina-se as mamas e o mais importante não é o dia em que será feito, mas que seja realizado mensalmente. Esse exame permite a descoberta de nódulos tanto benignos como malignos. É imprescindível que o homem procure um oncologista para avaliar qualquer alteração encontrada. Essa avaliação (exame-clínico) deve ser realizado por um médico ou enfermeiro treinado e o médico indicará a necessidade ou não de exames. A mamografia é um exame radiológico especial da mama que não requer a injeção de meio de contraste. Através dele, o câncer mamário pode ser diagnosticado antes do aparecimento de qualquer manifestação clínica.

‘No homem, a simples palpação consegue revelar tumores de um centímetro ou mais, o que já representa um câncer em estágio avançado’ (MEIRELLES, 2005). Devido à quantidade escassa de tecido mamário no homem, a neoplasia maligna infiltra rapidamente e adere à pele e à parede toráxica subjacente (COTRAN et al., 2000). Quanto mais tempo o paciente demora, menos chances tem de controlar a doença, que pode se alastrar para outras partes do corpo. Ossos, pulmão e fígado são as vítimas preferenciais da invasão do tumor (CANCER, [200?]).

Cada tipo de câncer tem uma característica diferente, o que determina o diagnóstico e o tratamento. Segundo a Revista OAB GOIAS (2002), a cirurgia é o primeiro passo no tratamento contra o câncer de mama masculino, é indispensável em todos os casos. Depois que o tumor é descoberto é necessário retirar uma amostra do tecido (biópsia) para descobrir se ele é maligno ou benigno, se cancerígeno, ver a quantidade de células doentes. Caso seja detectado o câncer, o paciente tem de se submeter à retirada da mama (mastectomia) e ao esvaziamento da axila afetada. Isso ocorre porque, depois da mama, o primeiro local atingido pelo câncer são os gânglios axilares, explica o mastologista do Hospital das clínicas Roberto Hegg, professor da USP, especialista em oncologia. Dependendo da manifestação da doença no organismo, depois da retirada do tumor vem os chamados tratamentos pós-cirurgicos: Quimioterapia, radioterapia e aplicação de hormônios (hormonioterapia). Esses também são, geralmente, os mesmos procedimentos adotados em mulheres com câncer de mama.

Na fase da quimioterapia, em que são aplicados medicamentos para combater células cancerígenas remanescentes, o paciente pode sofrer queda de cabelo, enjôos e vômitos. Essa fase pode durar de seis a oito meses, mas o prazo também depende da reação das células cancerígenas restantes. Em outra etapa complementar à cirurgia, na radioterapia, a emissão de raios cobaltos, por exemplo, também tem como objetivo eliminar as células cancerígenas. Geralmente, o tratamento dura cerca de 40 dias. Já na hormonoterapia, procedimento que pode continuar enquanto a doença permanecer estável, ou seja, sem se alastrar para outras partes do corpo, são aplicados hormônios para bloquear a ação do estrógeno, hormônio sexual feminino presente também no homem (OLIVEIRA, 2000).

 O preconceito e a falta de informação são grandes aliados da evolução da doença. Eles contribuem para que os pacientes procurem ajuda médica quando o tumor já esta em estágio avançado e chegam a reduzir em 50% as chances de sobrevivência. ‘Câncer de mama está associado à imagem da mulher. Quando acomete o homem existe um tabu enorme, o que faz com que muitos pacientes tenham uma resistência primeiramente em assumir a doença e, por conseqüência, em procurar ajuda’. O Câncer de mama é uma doença que pode voltar mesmo após muitos anos do diagnóstico inicial e tratamento. Para o estadio I, a sobrevida de cinco anos ocorre em 58% dos casos e a de dez anos, em 38%. Já para o estadio II, as taxas caem para 38% e 10%, respectivamente. Se comparadas aos casos em mulheres, a sobrevida relativa ao sexo masculino é visivelmente menor, o que em evidência o mau prognóstico para esse tipo de câncer (HAYAS, 2004).

Diagnóstica-lo em estágio inicial é o fator principal para fazer de um câncer pouco comum, uma doença com melhor e maior sobrevida. Contudo, busca-se compreender através da pesquisa de campo os diversos aspectos que envolvem o conhecimento dos alunos do sexo masculino sobre esta neoplasia.

 

MÉTODOLOGIA:

 

Este estudo foi desenvolvido por uma pesquisa empírica do tipo exploratória com abordagem descritiva, que tem como objetivo informar o conhecimento de alunos de uma universidade privada sobre a ocorrência do câncer de mama no sexo masculino.

O termo pesquisa é utilizado para designar todo trabalho à busca de soluções para os inúmeros problemas que as pessoas enfrentam no seu dia-a-dia, mas a pesquisa científica que busca a verdade, trabalha com métodos adequados para que seus resultados sejam aceitos pela comunidade científica e acrescente algo ao conhecimento já existente (PARRA FILHO e SANTOS, 2003).

A pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. A pesquisa exploratória-descritiva tem por objetivo descrever completamente determinado fenômeno, como por exemplo, o estudo de um caso para o qual são realizados análises empíricas e teóricas (LAKATOS e MARCONI, 2001).

As variáveis coletadas foram: Idade (em anos completos), profissão, estado civil, número de filhos, se sabe o que é câncer, conhecimento do câncer de mama, existência do câncer de mama no homem, prevenção do câncer de mama (quando referidas pelos entrevistados que sim, foi perguntada a maneira), uma vez orientado sobre a existência da doença realizaria o auto-exame de mamas (e por quê), divulgação da patologia para outros colegas do sexo masculino, orientação aos mesmos sobre o auto-exame e se conhece algum homem que tenha tido esta doença (quando afirmado que sim, foi perguntado quantos).

A pesquisa foi realizada em uma Universidade Privada, em São Paulo, SP, nos meses de junho a setembro, em 2005. A amostra foi constituída por 165 acadêmicos do sexo masculino do 1º ao 8º semestre, de 20 a 60 anos de idade, visando os alunos de quaisquer curso. O instrumento de coleta de dados foi composto por um questionário padronizado de doze perguntas, preenchido em entrevista. Abordando o Conhecimento dos alunos do sexo masculino sobre a ocorrência do câncer de mama no homem. O objetivo do estudo, a participação voluntária e a garantia do anonimato foram informados pelas pesquisadoras. Aqueles que aceitaram assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, seguindo os preceitos éticos pautados na Resolução 196/96 do Conselho de Nacional de Saúde (CNS, 1998).

O desfecho principal estudado no artigo foi ‘o conhecimento dos alunos sobre a ocorrência do câncer de mama no sexo masculino’. Também foi coletado informações sobre a prevenção e realização do auto-exame nas mamas.

Os resultados revelaram que os entrevistados não se previnem e não realizam o auto-exame por desconhecer a doença no sexo masculino. Como o questionário foi aplicado a alunos dentro de uma instituição privada de ensino, há necessidade de que seja divulgado informações sobre esta neoplasia.

Os dados foram apresentados sob a forma de números absolutos e percentuais (gráficos e tabelas). O estudo foi realizado após aprovação do protocolo pelo Comitê de Ética da Universidade Privada (nº 061036).

RESULTADOS:

 

Na ocasião da pesquisa cento e vinte e cinco alunos do sexo masculino tinham idade entre 20 e 29 anos, trinta e um, entre 30 e 39 anos, oito, entre 40 e 49 anos e um com 59 anos (gráfico 1).

Gráfico 1- Distribuição dos graduandos segundo idade. São Paulo, 2005.

 

 

Em relação à profissão, verificou-se que 21(12,7%) alunos eram profissionais de enfermagem (auxiliar e técnico de enfermagem), 37(22,4%) estudantes e 107 (64,9%) atuam em outras profissões (gráfico 2).

Gráfico 2- Distribuição dos graduandos segundo a profissão. São Paulo, 2005.

Quanto ao estado civil, 119 (72%) eram solteiros, 35 (21%) casados, 5 (3%) vivem em união marital, 4 (3%) divorciados e 2 (1%) viúvos. Dos 165 alunos entrevistados, 129 (78%) não tinham filhos e 36 (22%) tinham filhos, com relação à patologia (câncer), 153 (93%) sabem o que é câncer e 12 (7%) desconhecem a doença.Por meio dos relatos, observamos que 150 (91%) alunos conhecem o câncer de mama e 15 (9%) não tem conhecimento. A análise da amostra estudada pode ser visualizada no gráfico 3, descrevendo que: 102 alunos desconhecem sobre a existência do câncer de mama no homem e 63 sabem, porém, onze desconhecem a sua porcentagem, que é de 1 para cada 100 mulheres (1%).

Gráfico 3- Distribuição sobre a existência do Câncer de mama no homem. São Paulo, 2005.

A tabela 1 mostra que 149 alunos não se previnem contra o câncer de mama e que 16 realizam condutas preventivas, tais como: 11 têm o hábito de realizar o auto-exame, 02 relataram ter boa alimentação e 03 relataram outros meios de prevenção.

Tabela 1- Número de graduandos que se previne contra o câncer de mama no homem. São Paulo, 2005.

 

 

 

 

Resultado

De que maneira?

 Auto-exame Alimentação outros

Sim

16

11 02 03

Não

149

Total

165

 

De acordo com a orientação sobre a existência da doença 151 dos alunos entrevistados realizariam o auto-exame. Desses, 109 realizariam ao menos uma vez ao mês como prevenção, 11 não souberam responder e 31 relataram outros de tipos prevenção. Verificou-se que 11 não realizam o auto-exame, desses, 09 não tem vontade e 02 não souberam responder o porquê. É importante ressaltar que 03 alunos talvez realizassem o auto-exame, pois, 01 desconhece a doença, outros associam à patologia a imagem da mulher e 01 cita o fato de não ser uma doença comum no homem (tabela 2).

Tabela 2- Distribuição dos graduandos orientados sobre a existência do câncer de mama no homem, e realização do auto-exame das mamas. São Paulo, 2005.

Resultado

Variável

Resultado

Variável

Resultado

 

Sim

151

Não

11

Talvez

03

Por quê?

Por quê?

Por quê?

-Prevenção

109

-Não têm vontade

09

-Desconhece a

doença

01

-Não soube responder

11

Não soube responder

02

-Não é comum

01

Outros

31

-Associada à imagem da mulher

01

 

Observou-se que 157 alunos divulgariam essas informações para outros colegas do sexo masculino, 06 não divulgaria e 02 não responderam. Com relação à orientação sobre o auto-exame nas mamas 134 relataram ser capazes de fazer essas orientações aos seus colegas, 28 não se sentem preparados e 03 ficaram na dúvida entre orientar ou não.

Observou-se na tabela 3 que 11 alunos afirmam ter conhecido homens com esta patologia, sendo que, 08 responderam ter conhecido 12 casos da doença no sexo masculino e 03 alunos, mesmo afirmando que sim, não souberam responder a quantidade. Porém, 154 alunos relataram não ter conhecido nenhum homem com esta patologia.

Tabela 3- Relato de experiência sobre o câncer de mama no homem. São Paulo, 2005.

 

 

Resultado

Quantos casos?

Sim

11

12

Não

154

-

Total

165

-

 

DISCUSSÃO:

 

O desconhecimento sobre a ocorrência do câncer de mama no sexo masculino, foi de grande estímulo para a realização do presente estudo.

Dados sobre a prevalência da doença em homens mostra que é na faixa etária de 50/60 anos de idade (PROJIS, 2004), e rara antes dos 35 anos (LINS, 2003), pois uma das características do câncer de mama hereditário é a precocidade, mas, a incidência aumenta rapidamente à medida que a idade aumenta, portanto fez-se a necessidade de verificar a idade dos graduandos durante a pesquisa por se tratar de um dos fatores predisponentes considerável a esta patologia. Outro fator de risco esta relacionado aos fatores ambientais, no caso, a profissão com exposição a agentes químicos e a radiação. Pessoas expostas à radiação na região do tórax que fizeram uso de anabolizantes ou hormônios para tratamento de certas patologias, entre elas o câncer de próstata e também drogas como maconha e cocaína tem mais chances de estar suscetíveis à doença. ‘A radiação pode ser lesiva a estrutura genética e os anabolizantes ou hormônios aceleram o crescimento das células, que podem também alimentar mais rapidamente o tumor’ (HAYAS, 2004). Segundo Meirelles (2005), o uso dessas substâncias (maconha e cocaína) podem levar a uma insuficiência hepática e aumentar o risco de câncer de mama’. Quando comparados às informações do presente estudo, nota-se que 12,7% dos graduandos eram profissionais de enfermagem, entretanto, desconheciam a exposição desses agentes e da radiação no câncer de mama no sexo masculino. Em relação às demais profissões verifica-se que não há ligação aos fatores predisponentes.

É necessário enfatizar que dos graduandos entrevistados 72% eram solteiros, 21% casados, 5% vivem em união marital, 3% divorciados e 1% viúvos. Desses, 78% não tinham filhos e 22% tinham. Observa-se que os casados com filhos demonstraram mais preocupação ao saberem da neoplasia.

Com relação à patologia câncer, o estudo realizado observou que 93% dos graduandos sabem o significado desta patologia e 7% receberam informações por desconhecer a doença. Quanto ao câncer de mama 91% sabem da existência da doença no sexo masculino e 9% a desconhecem. Observando um processo interno de dúvidas e incertezas relacionadas com o termo câncer e câncer de mama. Afinal, a palavra câncer contém em si, ainda, um grande estigma: é sinônimo de morte. Este estigma pode ser claramente observado no dia-a-dia, quando vemos pessoas que não mencionam a palavra câncer por acharem que podem atrair a doença para si ou a chamam de ‘aquela doença’, ou de ‘aquilo’ (MALUF, 2005).

De acordo com os estudos realizados, verificou-se que 102 alunos desconhecem a existência da patologia no sexo masculino e 63 sabem, porém 11 desconhecem essa porcentagem (1%). Este estudo confirma os resultados obtidos por Falheiro (2005), sobre a existência da doença que pouca gente sabe, mas os homens também desenvolvem tumor de mama como as mulheres. Embora a incidência da doença ainda seja considerada baixa, equivalente a 1% dos cânceres malignos, infelizmente tem aumentado a cada ano.

No que se refere à prevenção, notou-se que 149 alunos não realizam condutas preventivas contra o câncer de mama masculino e 16 realizam através do auto-exame, de uma boa alimentação e outros meios de prevenção. Quanto aos graduandos orientados sobre a existência da patologia e realização do auto-exame das mamas, observou-se que 151 alunos realizariam o auto-exame, sendo 109 ao menos uma vez ao mês como prevenção. Referente à mesma amostra, 11 não realizariam o auto exame, 09 por não ter vontade e, é importante ressaltar que talvez 03 realizassem.

Com base nessas evidências, é muito comum o diagnóstico tardio no homem, quando a doença já se encontra evoluída. O homem, por desconhecimento, desinformação e vergonha, não realiza nenhum procedimento de prevenção e nenhum exame diagnóstico. A busca tardia por auxilio leva o tumor a ganhar força e exige tratamento drástico, com menores chances de cura. O diagnóstico precoce ajuda a preservar a mama e, por conseqüência, a auto-estima do paciente. (FALHEIRO, 2005; MEIRELLES, 2005; PROJIS, 2004).

No que diz respeito à divulgação das informações dos alunos para outros colegas do sexo masculino observamos que 95% divulgariam essas informações, embora, relativamente pequeno 4% não divulgariam e 1% optou não responder. Mesmo diante de uma proporção elevada indicando a passagem de informações se vê, segundo o oncologista Renato Santos, (citado por MIHALEFF, 2003) ‘necessário chamar a atenção da população masculina para os primeiros indícios da doença e fazer uma alerta para que estes homens procurem um oncologista ao notarem qualquer alteração na mama’.

As pesquisas mostram que 81% dos graduandos são capazes de orientar seus colegas sobre o auto-exame, no entanto 17% se sentem despreparados para explicar e

2% ficaram na dúvida. A grande maioria acha que é doença de mulher e ficaram surpresos ao serem informados sobre esta neoplasia que também atinge o sexo masculino, porém com a mesma maneira de realização do auto-exame.

A pesquisa mostrou que 11 graduandos relatam ter tido a experiência (contato) com homens acometidos pelo câncer de mama e 154 afirmam não ter conhecido nenhum homem com esta neoplasia. Desta forma os resultados deste estudo possibilitou evidenciar a importância da divulgação dessa patologia no sexo masculino.

 

CONCLUSÃO:

 

 

Ao contrário do que se imagina, o câncer de mama também atinge os homens e tem altas taxas de metástase. A evolução da doença é similar aos casos em mulheres. Fica claro que a falta de conscientização e preconceito por parte dos homens, diante da importância dos exames para detecção do câncer de mama (auto-exame, exame clínico, mamografia), tem sido considerada uma das causas da ocorrência de óbitos por esta neoplasia. E, embora a doença possa ser tratada com sucesso se detectada cedo, o câncer reivindica vidas cada ano por que alguns homens não procuram ajuda imediata. Se o tumor for identificado precocemente, as chances dessas células maligna se espalharem diminue. E pode-se falar até em cura, quando o tratamento consegue afastar de vez o risco de recidiva (a volta da doença) ou da metástase.

Diante do exposto, destaca-se a importância da busca do diagnostico do câncer de mama em fases iniciais juntamente à incorporação e colocação de condutas terapêuticas sempre atualizadas. Desta forma, poderá aumentar e melhorar a sobrevida dos homens com câncer de mama. Se comparada aos casos em mulheres, a sobrevida é visivelmente menor, o que coloca em evidencia o mau prognóstico para esse tipo de câncer.

De forma geral, os resultados revelam desconhecimento importante dos entrevistados sobre a doença. Nesse intuito, espera-se que este artigo, possa colaborar para o conhecimento quanto existência do câncer de mama no homem, bem como, a importância de mais informação e divulgação sobre esta neoplasia. 

 

 

REFERÊNCIAS:

 

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- CECOTOSTI K. Câncer de mama no homem? . Rev. Fato. 2004; 1-2.

- CONSELHO NACIONAL DE SAUDE. CNS: Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. [S. L.], 1998. 10P.

- COTRAN, R. S. ; KUMAR, V. ; COLLINS, T. Robbins: Patologia Estrutural e Funcional. 6. ed. Rio de Janeiro: G. Koogan, 2000. p. 1001.

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- HAYAS R. Eles também podem ter câncer de mama. Rev. Hands. 2004; 22: 1-3 . 

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 - INSTITUTO DO CANCER DRº. ARNALDO. Rel. Adm. São Paulo, SP, 2003, p. 1.

- LAKATOS, E. M. ; MARCONI, M. A. Fundamentos de Metodologia Cientifica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

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- MACIEL C, ANDRADE P. Interaçao virtual. Rev. Elet. 2005.

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MIHALEFF, L. Câncer de mama também atinge os homens. Jornal UNISANTA, São Paulo, p. 1, 2003.

 - MOURÃO NETTO, M. Câncer de mama no homem. Fatores prognósticos, marcadores tumorais: Correlações clínico-patológicas. 1998. (Tese) – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.

 - OLIVEIRA R. Não é doença só de mulher. Rev. Folha: 2000; 424 (9):6.

 - PARRA FILHO, D. , SANTOS, J. A. Metodologia CientÍfica. 6. ed. São Paulo: Futura, 2003.

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- REV. OAB GO. Goiás: Saúde, 2002. Trimestral.

- SANTOS, F. Tire essa mágoa do peito. São Paulo: Gente, 1999.

 - SILVA, HMS, FERRARI BL, ROCH M LL. Câncer de mama. Rev. Bras. Med. (RBM). 1998; 55(10): 812-813.

 - SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner/Suddart: Tratado de Enfermagem Médico cirúrgica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 4V. p. 1203-1234.

Claudia Forlin

Enfermeira, docente no Ensino Superior.Especialista.

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