Conheça os sintomas da doença "Gota" São Lourenço da Mata, Pernambuco

Entenda o que é a doença "gota". O médico Alessandro Loiola descreve os sintomas e o tramento da doença. Ele também explica a ação das purinas no organismo.

Manoel Emidio de Souza Neto
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Conheça os sintomas da doença "Gota"

NADA MENOS QUE MAIS UMA GOTA

© Dr. Alessandro Loiola
http://www.dralessandroloiola.blogspot.com/
Ele entrou no consultório andando torto como deve andar um Curupira. Os pés não estavam para trás, mas precisei dar uma boa olhada para confirmar isso.
- É doutor, dessa vez a pelada me pegou de jeito. O pé direito tá me matando - foi tirando o sapato com aquela cara de sofrimento digna de um Oscar.
- Pisaram em cima? Caiu, torceu...?
- Nada, nada. Joguei bola ontem, tudo certo. Beliscamos uns petiscos, tomamos umas depois, fui para casa em paz e acordei com esse despertador aí latejando - apontou para o dedão vermelho e inchado.

Nenhum sinal de deslocamento, radiografia sem fratura. Passei os remédios de praxe e pedi alguns exames. No dia seguinte ele voltou, menos Curupira que no dia anterior. Entregou os resultados e sentou feito um menino enquanto o pai checa o boletim do semestre.
- Rapaz, sabe aquele bife suculento do almoço?
- Sim.
- Pois ele estava cheio de Purinas.
- Purinoquê?
- Purinas. São substâncias presentes nos alimentos, especialmente carnes. A digestão das purinas resulta na produção de ácido úrico. Normalmente, o corpo é capaz de eliminar o excesso de ácido úrico, mantendo a concentração sangüínea abaixo de 7 miligramas por decilitro.
- Certo.
- Em algumas circunstâncias, o organismo produz uma quantidade muito grande ou perde a capacidade de eliminar o ácido úrico produzido em excesso. Como quando a gente como carnes em excesso, desidrata ou toma umas cervejas além da conta.
- Humm... - ele murmurou. Nada como um bom sentimento de culpa para despertar o compromisso com a própria saúde.
- Na temperatura corporal e em concentrações acima de 7, o ácido úrico se transforma em cristais que se depositam nas articulações, causando dor e inflamação intensa. Essa situação é conhecida como Gota. Você está com Gota.
- Afmaria, meu avô morreu disso!
- É, mas hoje em dia ninguém morre por causa de Gota. Apenas você terá que tomar alguns remédios e cuidados. Na verdade, mais cuidados que remédios.

Ainda assim, o medo dele até que procedia. Nos idos de 1900 e antigamente, toda pessoa portadora de Gota evoluía com dores articulares crônicas e incapacitantes. Após décadas de pesquisa, a Gota deixou de representar uma grande ameaça à saúde, mas continua sendo uma doença com risco de complicações sérias, podendo levar à deformidades, hipertensão arterial, diabetes e problemas renais graves.

Os principais fatores de risco para Gota incluem cigarro, obesidade e consumo excessivo de bebidas alcoólicas. No caso do nosso paciente, ele preenchia todos os critérios de risco, com louvor.

A dor em uma articulação é a manifestação mais comum: cerca de 90% dos pacientes apresentam inflamação aguda em uma única articulação, em geral nos membros inferiores. O dedão é o local mais comum da primeira crise. O diagnóstico é feito através do exame médico e de alguns testes complementares.

Toda pessoa que já sofreu um ataque de Gota deve fazer um tratamento específico para reduzir os níveis de ácido úrico no sangue. Além de prevenir novas crises, o tratamento também diminui o risco de destruição das articulações. A alimentação correta é essencial nesse sentido: uma dieta adequada é capaz de reduzir 1-2 pontos totais nos níveis sangüíneos de ácido úrico. Apesar de parecer insignificante, essa redução pode ser a diferença entre uma vida normal ou dores permanentes.

Quem tem Gota deve evitar carnes, miúdos, peixes, frutos do mar, aves e bebidas alcoólicas de todos os tipos. Os líquidos devem ser ingeridos à vontade, para que a urina esteja sempre clara. Entretanto, o álcool - especialmente a cerveja - deve ser evitado, pois pode precipitar ataques dolorosos.

Leite, chá, café, chocolate, queijos magros, ovos cozidos, manteiga e margarina, pão, macarrão, fubá, mandioca, arroz branco, milho, vegetais, doces e frutas não causam crises.

Finalmente, alguns alimentos naturais, como Abacaxi, Alho, Arnica, Arruda, Camomila, Couve, Inhame, Limão, Mirtilo, Tomilho e Zedoária, podem auxiliar a reduzir os sintomas, mas não devem ser utilizados indiscriminadamente sem recomendação profissional especializada.

Sobre o Autor

Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

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