Conheça os benefícios da oficina terapêutica para idosos Macapá, Amapá

Aprenda sobre a metodologia usada na oficina terapêutica, destinada a terceira idade. Entenda também, o significado do termo "envelhecimento ativo". A psicóloga Regiane Silva descreve o surgimento de programas de saúde que auxiliam na melhora da qualidade de vida dos idosos.

Paulo Roberto Balbino
(96) 3223-0737
Avenida 13 - de Setembro 543
Macapa, Amapá
Especialidade
Medicina do Trabalho

Dados Divulgados por
José Carlos Esteves Gondim
(96) 3217-2200
Av. Raimundo Alvares da Costa 0000 - Posto da UNIMED
Macapa, Amapá
Especialidade
Administração em Saúde

Dados Divulgados por
Sigma
(96) 3223-4188
av Ernestino Borges, 795
Macapá, Amapá

Dados Divulgados por
Paranhos & Vancan Fisioterapia e Odontologia Ltda
(96) 3223-8754
av Coriolano Juca, 265, Als, Central
Macapá, Amapá

Dados Divulgados por
R. S. Amorim - Me
(96) 3217-0333
av Mendonça Júnior, 543, Central
Macapá, Amapá

Dados Divulgados por
Joana Silva Carvalho/Hemodiagnostico
700-0705
Av. Coaracyunes 890
Macapa, Amapá
Especialidade
Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

Dados Divulgados por
S C da Silva Lab Diagnose
(96) 223-4554
Av Raimundo a da Costa 336
Macapa, Amapá
Especialidade
Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

Dados Divulgados por
Clínica Santa Rita Ltda
(96) 3222-5699
av José Antônio Siqueira, 751, Laguinho
Macapá, Amapá

Dados Divulgados por
Instituto de Oncologia e Mastologia S/c Ltda
(96) 3261-1560
tr Joaquim Gouveia, 160, Alvorada
Macapá, Amapá

Dados Divulgados por
M. T. R. Goncalves - Me
(96) 3222-2360
av FAB, 1835, Central
Macapá, Amapá

Dados Divulgados por
Dados Divulgados por

Conheça os benefícios da oficina terapêutica para idosos

Oficina Terapêutica – Um olhar da psicologia sobre os idosos

O aumento na expectativa de vida e o percentual de idosos na população é um fenômeno universal. Para que o envelhecimento seja bem sucedido são necessárias políticas e práticas eficazes, que propiciem a valorização da identidade do sujeito idoso, com qualidade de vida e integração biopsicossocial satisfatória e digna.

A Organização Mundial de Saúde adotou no final dos anos 90 o termo “envelhecimento ativo” uma expressar muito mais abrangente que “envelhecimento saudável”. Envelhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades para a saúde, a participação e a segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. As ações públicas e privadas que apóiam e incentivam o envelhecimento ativo são absolutamente necessárias e permitem que as pessoas, com 60 anos e mais, continuem a trabalhar de acordo com suas capacidades e preferências, prevenindo e retardando incapacidades e doenças crônicas que têm alto custo para os indivíduos, as famílias e sistemas de saúde. É importante ressaltar que a idade cronológica não é um marcador preciso para as mudanças que acompanham o envelhecimento e sim um conjunto de fatores tais como o estado de saúde, nível de autonomia e independência e participação sócio-familiar.

No momento em que se criam meios e ações mais eficazes que contribuam para o resgate de um sujeito idoso, fornecendo-lhe meios e condições para uma vida mais satisfatória e digna, propicia-se o repensar sobre os processos do envelhecimento como algo inerente ao desenvolvimento humano, desvinculando a velhice da exclusão, patologia, improdutividade e estagnação.

Fato percebido por Anita L. Neri (2004), importante nome na área da gerontologia brasileira, que discorre acerca do que a psicologia pode oferecer ao estudo e à intervenção no campo do envelhecimento no Brasil nos dias de hoje.

Segundo ela, a psicologia oferece contribuições importantes à compreensão dos processos, à avaliação comportamental e à reabilitação. No campo do tratamento e da reabilitação é comum, hoje, pensar em ações multiprofissionais, oferecendo alternativas de ajuda aos familiares de idosos acometidos de doenças que causam incapacidade física e cognitiva, organizando grupos de apoio emocional (grifo meu) de informação e de auto-ajuda (NERI, 2004, p.21-22).

Deste modo, repensando esta concepção nova de envelhecer, realizei o projeto Oficina Terapêutica em várias instituições públicas e particulares, entre os anos de 2001 a 2007. A saber: Fundação João de Freitas – Juiz de Fora - MG (de 2001 a 2003), Clínica de Repouso Raio de Sol – Santos - SP (2005 a 2006) e Secretaria do Bem Estar Social de Itutinga – MG (2006 a 2007).

Este projeto objetivava promover encontros semanais, com no máximo 10 idosos por grupo, promovendo a integração, o resgate do sujeito idoso, buscando melhoria na qualidade de vida e das relações interpessoais, através de discussões, dinâmicas, palestras, passeios, festividades e elaboração de poesias sobre os temas do envelhecimento. Foram apresentados temas diversos, bem como o Estatuto do Idoso, com a entrega de livretos para cada participante.

Ao longo deste trabalho constatei que há ainda muito que se fazer com o sujeito idoso, uma vez que seus direitos são pouco respeitados (muitos desconhecem o Estatuto do Idoso), políticas públicas pouco eficazes ou inexistentes em alguns lugares, familiares mal orientados, ausentes ou pouco participativos na vida daqueles que se encontram institucionalizados, cultura de exclusão ou assistencialista (muito paternalista, restringindo a sua autonomia), entre outros.

Todavia este projeto desafiador e ao mesmo tempo muito gratificante fornece a eles (idosos) e principalmente a mim (profissional e pessoalmente), meios de interação e participação saudável na sociedade, valorizando a vivência humana, suas histórias, angústias, alegrias, desejos, sonhos, saudades, sabedoria e talentos.

Todos se preocupam em viver uma vida satisfatória e feliz. No entanto, para muitas pessoas, a vida pode tornar-se difícil de suportar, sem sentido e vazio. A maioria das fórmulas que prometem a felicidade e satisfação, especialmente o consumo, o utilitarismo e a técnica, não têm se mostrado sempre como saída para a realização pessoal. Têm-se sim, diversas alternativas que oferecem prazer imediato, uma alegria ligada ao ter coisas e qualidades pessoais, reconhecimento social e profissional. É provável que as pessoas que já viveram mais tenham mais sabedoria acumulada. Podem ajudar a vislumbrar elementos essenciais para que a existência seja repleta de sentido e menos fundamentada em elementos exteriores, efêmeros e possivelmente aparentes. Àqueles que já viveram muitos anos, consegue olhar através da cultura atual, ultrapassando o aqui e agora, as ênfases ou tônicas da história atual e pode oferecer elementos de reflexão que transcendem perspectivas imediatas. A partir do balanço que a pessoa faz no final da vida é possível constatar investimentos que valeram à pena e que trouxeram satisfação a longo prazo e aqueles que não trouxeram. Este projeto possibilitou também esta constatação e a busca de novas formas de se vislumbrar o envelhecimento, os projetos esquecidos e possíveis de serem realizados, a descoberta de novos talentos e formas de se viver à vida e ocupar o seu tempo de maneira satisfatória e novas interação sociais e manutenção e luta pelos seus direitos.

As pessoas idosas desejam e podem permanecer ativas e independentes por tanto tempo quanto for possível se o apoio adequado lhes for proporcionado. Os idosos encontram-se potencialmente em risco não apenas porque estão velhos, mas porque estão vulneráveis à incapacidade a partir de suas próprias mentes, seus corpos e seu meio físico e social (VERAS, 1995, p. 24).

Segundo Salgado (1996), a questão social dos velhos não pode continuar sendo secundarizada, nem sendo objeto de políticas tímidas e soluções menores. A existência plena não é propriedade dos jovens, é um direito de todos os que estão vivos. Os velhos têm algumas décadas a mais de cidadania do que os jovens. Se isso não lhes confere a precedência, lhes dá, pelo menos, o direito de lutar por uma melhor qualidade de vida.

Oficina terapêutica é o projeto que mais gratificações e satisfações me trouxeram ao longo destes mais de nove anos de formada, pois possibilita trabalhar a identidade do sujeito idoso, de forma respeitosa, ética e digna.

Gandolpho e Novaes (2002, p. 20) dizem que, “a visão estereotipada da velhice pode ser modificada por meio da informação e do contato com os idosos, proporcionando novas experiências, as quais poderão contribuir para a (re) formulação dos valores sociais”.

Isso se confirma com Scortegagna (2001), ao dissertar sobre o envelhecer saudável, diz que o refletir com a comunidade sobre o processo do envelhecimento, considerando que cada ser é único e cada ser tem a sua história, traz repercussões, que podem influenciar em seu meio e no coletivo.

Em uma população onde cresce o contingente idoso, há de se criar, pois, constantemente meio e formas de participação e valorização desses na sociedade.

Cabe portanto, a nós profissionais da área psi, assim como outras áreas afins, discutir, criar e executar estas ações.

Referenciais:

- GANDOLPHO, Maria. NOVAES, Márcia. A Imagem da Velhice: A ótica do estudante de enfermagem. Revista Nursing, São Paulo, p.19-23, jul. 2002.

- NERI, Anita Liberalesso (ORG.) CACHIONI, Meire (ORG.). Saúde e qualidade de vida na velhice. São Paulo: Alínea, 2004.

- SALGADO, M. Envelhecimento Populacional: uma agenda para o final do século. In: Anais do I Seminário Internacional. Brasília, 1996.

- SCORTEGAGNA, H.M. Vivendo e aprendendo: para um envelhecer saudável. Passo Fundo: UPF, 2001. 130P. (Dissertação Enfermagem; nº.6).

- VERAS, R. País Jovem com Cabelos Brancos: a saúde do idoso no Brasil. Rio de Janeiro: Relume/Dumará, 1995.

Regiane Guimarães Silva

Psicóloga formada a mais de nove anos, com experiência em escolar, clínica e oficinas terapêuticas para idosos.

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