Analise a relação interpessoal doente–Enfermeiro Manaus, Amazonas

No presente estudo, observa-se que o assunto mais polemico entre os profissionais de enfermagem. O relacionamento que os profissionais tem com os hospitalizados e a questao deste artigo. Entenda como funciona esse atendimento.

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Analise a relação interpessoal doente–Enfermeiro

O interesse em pesquisar sobre o assunto “Relacionamento Interpessoal entre o Profissional de Enfermagem e a Clientela Hospitalizada”, surgiu por observações durante plantões da pesquisadora. Observa-se que o assunto mais polêmico entre os profissionais, e o que mais se queixam são das relações interpessoais com a clientela hospitalizada, mais do que as tarefas executadas, quantidade de clientes a serem cuidados, condições de trabalho e salários.

Tendo como objetivo identificar quais os fatores que levam os clientes e os profissionais de enfermagem a terem dificuldade no relacionamento interpessoal, e vista disto, buscar meios para transformar situações de relacionamento negativos em positivos, e dessa forma construir um ambiente saudável de trabalho para os profissionais, e assim poder contribuir positivamente nas condições de recuperação dos clientes e, este se tornar mais compreensível dentro de suas limitações para com os profissionais.

Trata-se de um estudo de caráter qualitativo, que para Minayo [1] “A pesquisa qualitativa surge diante da impossibilidade de investigar e compreender por meios de dados estatísticos alguns fenômenos voltados para a percepção, a intuição e a subjetividade.” , O método escolhido será a pesquisa bibliográfica através da revisão da literatura, pois, há vários autores que já editaram temas pertinentes ao assunto através de livros, revistas cientificas no período de 1985 a 2007.

Nas últimas décadas houve uma crescente preocupação dos enfermeiros quanto à relação interpessoal com o Cliente. Na prática de enfermagem verifica-se que toda a assistência ao indivíduo se processa em nível de reação interpessoal.

O estresse está presente no dia a dia de qualquer ser humano, muito mais presente na vida do profissional de enfermagem, que executa sua função lidando com a vida e a morte. Dependo do setor que executa sua função o índice de mortalidade é superior aos que sobrevivem e se está lado a lado com o sofrimento. Fatos tão temidos somados ao estresse da vida, na maioria das vezes o profissional precisa acumular carga horária trabalhando em dois ou mais empregos devido a salários baixos, ficando assim difícil à atualização profissional, sem contar que o mesmo desfruta poucos momentos de lazer com seus familiares e amigos, e o reconhecimento que é tão importante para qualquer ser humano é muito pouco. Diante de tal situação começa a gerar toda uma dificuldade de relacionamento interpessoal; pois o profissional que já vem de uma labuta pesada precisa ter resistência física e controle emocional para lidar com seus clientes hospitalizados, que tanto necessitam de seus serviços, assim como os familiares dos mesmos que estão com a possibilidade de perder seu ente querido, o nível de estresse é tão grande que por vezes é grosseiro, claro que nada justifica tal grosseria, mas, o profissional enfermeiro tem o poder de inúmeras maneiras modificar ou direcionar o relacionamento, de modo a obter como resultado uma reação efetivamente terapêutica, passando a ser um elemento considerável na mutação do cliente.

Ser enfermeiro é ser antes de qualquer coisa um ser humano, foi decisão tomada por ele, que o trabalho a que se propôs na vida fosse a vontade de cuidar das outras pessoas, seres humanos como ele, necessitando de ajuda, para isso o enfermeiro estudou e se tornou capaz para suprir essa necessidade. Mas, para o cliente na maioria das vezes não foi decidido por ele ficar doente, não conscientemente; Requer grande maturidade, lucidez, capacidade de análise. Acredita – se que a enfermagem é um processo de educação continua que visa um desenvolvimento e um crescimento, o que conseqüentemente leva a um atendimento mais aperfeiçoado.

A Enfermagem é uma profissão humanicista e não só tecnicista, e a única maneira de aproxima-la cada vez mais do aspecto humano é através da comunicação, pois, é a comunicação que possibilita o entendimento entre os seres humanos.

A empatia é muito importante no processo de relação interpessoal enfermeiro-Cliente; Empatia segundo Potter & Perry [2] “É a capacidade de compreender e aceitação que o profissional precisa ter dos sentimentos do pacientes, e sua habilidade de entender o mundo particular do mesmo, como se fosse o seu próprio mundo” Empatia é uma visão justa, sensível, e objetiva das experiências de outra pessoa.

Herdamos da cultura portuguesa a visão de que servir tem a ver com servidão, um fardo, uma obrigação, algo a ser evitado a todo custo; essa mentalidade tem a ver com os quase 400 anos de tradição escravocrata, em que importavam escravos justamente porque servir era impensável, tanto assim, que o Brasil foi um dos últimos paises a abolir a escravidão, talvez por essas razões históricas ainda vivemos a resistência a servir ao outro, que esta associado a servilismo, a serviçal, a subserviência, termos absolutamente negativos, mas quando o profissional de enfermagem é consciente de sua maior função que é cuidar, ele se sente privilegiado por poder servir ao outro, por poder ajudar, não estamos falando de trabalho sem remuneração, pois, o enfermeiro é um cidadão que tem suas contas, suas obrigações, suas necessidades, mas, o trabalho de enfermagem remunerado ou não, deve ser feito com responsabilidade, e é um motivo para sentir-se um privilegiado.

Quando o Enfermeiro tem essas noções se torna mais fácil de driblar as possíveis desavenças nas relações com seus clientes e familiares, pois, ele é um ser dotado de conhecimentos e responsabilidades, a fim, de tornar as relações interpessoas positivas.

2- DESENVOLVIMENTO

 2.1- Percepção nas praticas de enfermagem: Sua importância e implicações.

Não podemos falar em relacionamento interpessoal sem falar em percepção humana, “È a porta de entrada para toda a informação que a pessoa recebe e processa”.(Simões) [3], ou seja, é o processo pelo qual tomamos conhecimento do mundo externo.

“A percepção pode ser fisiológica “Envolvendo estímulos elétricos evocados pelos estímulos nos órgãos dos sentidos” (site wikipedia) [4], e também pose ser psicológico onde” A percepção envolve também os processos mentais e outros aspectos que podem influenciar na interpretação dos dados percebidos” [4]. Existem alguns fatores que influenciam a percepção, segundo o site pesquisado são “fatores externos e internos”. Externos é a intensidade, o contraste, o movimento, a incongruência; Internos são a motivação e a experiência. Dentro dos fatores internos que influenciam a percepção destacamos: ”Experiências passadas, Estado emocional, Interesse, Preconceito” (Caetano).[ 5].

Experiências passadas: Se um profissional de enfermagem perdeu um familiar em acidente automobilístico, por exemplo, ao cuidar de um paciente com esse quadro poderá interferir em seus cuidados profissionais, ao relembrar os fatos,

Estado emocional - Se o profissional estiver passando por um momento difícil em sua vida, como perda de um ente querido, separação conjugal, doença de um filho, etc...,Poderá interferir ao prestar assistência a alguém. Interesse – Se para o profissional é importante estar desenvolvendo aquele trabalho ou não, se aquela empresa é boa para se trabalha na sua percepção.

Preconceito – Pode ser racial, religioso, não importa quais esses itens de valores podem interferir no desenvolvimento da prestação de serviço do profissional de enfermagem, que antes de ser um profissional é um ser humano, mas, que foi decidido por ele ser enfermeiro e que deve ter auto conhecimento, pois, o déficit de auto conhecimento vai impedi-lo de sair de si mesmo para ir ao encontro do outro.

Dentre os tipos de percepção estão em destaque a visual e auditiva, que “São as formas mais desenvolvidas nos seres humanos” [4].Outras formas de percepção como a olfativa, gustativa e tátil, não são associadas a necessidades básicas, mas, possuem importante papel na afetividade.

Cada pessoa sente, interpreta e entende o ambiente de forma diferente. As percepções são a visão pessoal de um indivíduo sobre os eventos acontecendo em seu ambiente e são formadas pelos objetivos e expectativas desse individuo; cada pessoa tem uma criação, uma crença, uma consciência diferente dos outros, por isso cada indivíduo é único, cada um com seus valores “refletem o que uma pessoa considera importante na vida”. [4] . Por isso a percepção do mundo é diferente para cada um de nós.

Cada um de nós desenvolve o seu próprio conjunto de conceitos que utiliza para interpretar o comportamento dos outros. Estas preferências de conceitos estão, na maior parte das vezes relacionadas com a nossa motivação. Os conceitos não existem isoladamente; estão interligados através de uma rede de relações.

As imagens e os estereótipos, que são “Opinião preconcebida, difundida entre os elementos de uma coletividade” (Ferreira) [6] Quando cuidamos de um cliente “Negro” ou “líder sindical”, a informação sobre estes conceitos imediatamente evoca um conjunto de expectativas sobre outras características da pessoa. No caso dos estereótipos estas expectativas podem mesmo ser tão fortes que, que podemos ir ao extremo de ignorar ou distorcer informações que não se adequar ao nosso sistema conceptual, de modo que o sistema não seja afetado por experiências contraditórias.

 2.2 - PERCEPÇÃO DO CLIENTE

O individuo ao sentir-se mal, inicia o sentimento de medo, até que ele tome ou tomem por ele a decisão de procurar socorro medico, ao ser admitido na unidade hospitalar o medo se mistura com outros sentimentos como, insegurança, fragilidade, entre outros, chega sobrecarregado de preocupações pessoais, geralmente ele encontra um ambiente impassível, o que ele procura não é só o tratamento terapêutico proposto pelo medico, ele quer e precisa sentir-se seguro, amparado, cuidada, precisa ser chamado pelo nome próprio, e não pelo seu diagnostico medico ou pelo n° do seu leito, pois ,o individuo que esta em cima do leito é um cidadão com direitos e deveres a cumprir, na maioria das vezes possui família, contas a pagar, enfim, precisa de humanização, segundo( Machado) [7],” Os clientes devem ser informados para onde estão indo e sobre o tempo previsto para cada procedimento, por uma simples questão de responsabilidade e cidadania.” Isso é dever do profissional de Enfermagem e direito do cliente, ele está assegurado pelo código de Defesa do Consumidos e pela Constituição Federal.

2.3 – Comunicação Interpessoal

  O processo que torna possível o relacionamento enfermagem-cliente é a comunicação, que “È um processo de compreender, compartilhar mensagens enviadas e recebidas”.(Stefanelli) [8], é por meio da comunicação vivenciada pelo enfermeiro e cliente, que o enfermeiro pode definir metas, objetivos a serem atingidos, para ajuda-lo a sentir-se como ser humano digno e pessoa capaz de encontrar soluções para seus problemas.Cada momento da comunicação é único, e não se repete, por isso temos que ter cuidado ao estabelecer uma comunicação com nossos clientes, só estabelecer quando tivermos certo do que queremos dizer, para não ser mal interpretado, pois, a incapacidade de comunicação conduz a sérios problemas tanto o profissional quanto para o cliente, e pode ameaçar sua credibilidade profissional. Alem disso, através da comunicação o profissional de enfermagem cria condições de efetuar mudanças.

O processo de comunicação não é apenas um conjunto de informações que o profissional de enfermagem memoriza e põe em prática, ao contrario, é um processo complexo que exige emprego inteligente de princípios.

No processo de comunicação existem alguns elementos que são: Emissor que é fonte da emissão da mensagem; O Receptor ou Destinatário, que recebe a mensagem, que é aquilo que é transmitido.

As formas de comunicação são Verbais, que refere se a linguagem escrita e falada, aos sons e palavras que utilizamos para nos comunicar.

O tom de voz de quem fala pode ter impacto considerável sobre o significado de uma mensagem, uma simples frase pode expressar entusiasmo, preocupação, indiferença e mesmo aborrecimento. As emoções de uma pessoa podem influenciar diretamente seu tom de voz. O profissional de enfermagem deve ficar alerta sobre suas emoções, só estabelecer uma comunicação com os clientes e seus familiares após estar certo do que quer dizer.

O Ritmo, a comunicação verbal será mais eficiente quando expressa em velocidade e ritmo apropriado; Clareza e Brevidade, a comunicação deve ser simples, curta e objetiva.

E as Não Verbais, que envolvem todas as manifestações de comportamento não expressam por palavras, utilizadas pelo emissor com o propósito de partilhar informações.

O mecanismo de comunicação é, 5% são palavras, 20% entonação, 75%presença, (sinais, símbolos e expressões corporais), (Knapp) [9], a comunicação deve ser curta e objetiva, devemos respeitar o nível de entendimento da clientela e seus familiares, respeitando a cultura, nível de escolaridade, etc...

A aparência durante um contato interpessoal também é muito importante, a primeira observação que se faz é da aparência do interlocutor.

A aparência do enfermeiro influência a percepção do cliente quanto aos cuidados recebidos, cada paciente tem uma imagem pré-estabeçida de como o enfermeiro deverá se apresentar. O tradicional uniforme branco pode ser um símbolo de pureza e limpeza, o uso de enfeites, como bijuterias em excesso pode expressar vulgaridade, unhas grandes e barba a fazer pode expressar falta de higiene.

Postura e marcha, o modo em que uma pessoa fica ereta e anda é uma forma visível de auto-expressão, e o cliente esta atento a todos esses itens.

Expressão facial, o rosto a parte mais expressiva do corpo, revela seis emoções primarias: surpresa, medo, raiva, aversão, felicidade e tristeza, [9], sempre que estamos executando algum procedimento podemos perceber que o cliente esta atento a nosso rosto a nossas expressões, uma situação muito comum e quando vamos fazer um eletrocardiograma,ou verificar pressão arterial o cliente fica atento a nossa expressão facial todo o tempo do procedimento, se fizermos um gesto, que seja com olhos que em seu entendimento seja ruim,logo nos pergunta “está ruim ?” .

O contato através dos olhos é uma parte muito importante das expressões transmitidas por seus movimentos: olhos bem abertos são associados à franqueza, terror e ingenuidade; olhar para baixo reflete modéstia; erguer as sobrancelhas pode revelar desprezo e um olhar fixo constante associado ao ódio e frieza, Quando duas pessoas se encontram o contato através dos olhos geralmente antecipa uma mensagem, O contato inicial dos olhos mostra disposição para se comunicar e as pessoas que se olham durante uma conversa são consideradas confiáveis, partindo desse principio, podemos dizer que um enfermeiro que conversa com seu cliente olhando nos olhos com respeito passa para ele confiança.

Gestos manuais, umas saudações, um aceno de mão, são gestos manuais que dão para o cliente tão fragilizado com sua condição de hospitalizado uma sensação de importante e único, em geral ele pensa “ele se importa comigo”.“Ele se lembra de mim”.Sentir-se importante para alguém e lembrado e tão importante quanto um analgésico.

Uma parte muito importante no relacionamento interpessoal enfermeiro-cliente e o toque, mas, deve ser usado com muita descrição, de todas as profissões que existem dentro de um hospital a que mais toca nos clientes e a enfermagem, pois, precisa dar banho, ao ajudar o paciente a vestir se, ao aplicar injeção, cateterismo vesical, verificar pressão arterial, enfim, em praticamente tudo tocamos no cliente, e ai que temos que ter cuidado, pois, fazemos sem perceber, e é muito pessoal tocar em alguém, dependendo dos seus valores, o cliente pode sentir-se constrangido, invadido, até mesmo interpretar como assedio sexual, sem perceber tocamos sem pedir licença, uma certa vez um cliente falou “engraçado, uma pessoa me pediu licença para mexer em minha carteira e pegar a carteira do plano de saúde para fazer algumas verificações, mas não me pediu licença para tirar minhas roupas e por as vestis do hospital”, ele tinha razão de se sentir invadido estamos num mundo tão capitalista que damos mais Importância a coisas matérias do que a pessoas, por isso devemos estar atento ao simples ato de tocar em alguém para evitar situações constrangedoras para ambas as partes.

Entre estas formas há uma terceira chamada de paraverbal ou paralinguística que “É expressa pelo tom de voz, ritmo com que são pronunciadas as palavras, choro, pausas, entre outros” [8]

Muitas das vezes é através da comunicação não verbal que identificamos se um cliente esta com dor, com medo, irritado, ansioso ou preocupado, através da sua expressão facial e corporal (cinésia ou postura física), ou seja, os movimentos do nosso corpo e, ainda pelas manifestações fisiológicas como rubor, sudorese, tremores, palidez, etc...O enfermeiro deve estar sempre atento a qualquer um desses sinais.

Outro aspecto que temos de levar em conta na comunicação com o cliente é o seu Espaço Pessoal e Territorial, chamado de Comunicação Proxêmica [8], diz respeito ao espaço em volta dela, incluindo objetos de uso próprio e do ambiente, às vezes a pessoa tende a considerar o espaço à sua volta como extensão de seu corpo, quer manter seus objetos neste espaço que reconhece como seu. O enfermeiro deve estar atento para não aumentar a ansiedade do cliente removendo seus objetos pessoais do leito sem antes pedir permissão a ele.Temos que ter cuidado para não criarmos uma barreira à comunicação com nossos clientes, pois, a falta de habilidade para ouvir, ver, sentir, compreender a mensagem, pode por a perder todo um bom relacionamento com nossos clientes.

Ainda podemos falar de outra forma de comunicação, que é a Comunicação Terapêutica.

“Que contribui para a excelência da pratica da enfermagem e cria oportunidade de aprendizagem para o cliente, podendo despertar sentimentos de confiança entre paciente e enfermeiro, o que permitira a ele experimentar a sensação de segurança e satisfação”.(Stefanelli,) [8].

A comunicação terapêutica consiste na habilidade do profissional em usar seus conhecimentos sobre comunicação para ajudar o cliente com a tensão temporária, a conviver com outras pessoas e ajustar-se ao que não pode ser mudado e a superar os bloqueios à auto-realização para enfrentar seus problema.

O Feedback que “È um processo de ajuda para mudanças de comportamento; é comunicação a uma pessoa, ou grupo, no sentido de fornecer-lhe informações sobre como sua atuação está afetando outras pessoas” (Moscovici.) [10], é muito importante para manter para mantermos nossos clientes nos processos de atividades de interesse comum, é importante que o enfermeiro sempre retorne a informação ao cliente,mostre resultados e ações conseqüentemente de informações recebidas anteriormente.

Regras para dar Feedback, Segundo “Verifique a disposição do receptor; a conveniência e o tempo de seu feedback; a medida certa;se o interlocutor deseja o feedback que você pretende transmitir,seja especifico ,esclareça os motivos).

Recebendo Feedback “Solicite o feedback dos outros sempre que puder; diga em termos concretos quais as informações que deseja receber; não discute nem procure defender-se; examine o sentido das informações recebidas; comunique suas reações” [5].

 2.4 Relação interpessoal Cliente –Enfermeiro /Enfermeiro-Cliente

Para o cliente que esta doente num ambiente diferente do seu cotidiano, começa a sentir-se incapaz e solitário, basta ficarmos doente, longe de nossos familiares para nos lembrarmos como é importante sermos amados, Este cliente fica tão fragilizado que desconfia de todos os profissionais que estão envolvidos em tratamento, principalmente da enfermagem que permanece envolvida em seu cuidado durante todo o tempo de hospitalização, ou o contrário vê o enfermeiro como um amigo, um profissional com competências técnicas que o ajudara a recuperar-se e superar a fase difícil de sua vida; “Competência Técnica o enfermeiro pode adquirir através de cursos, seminários, leituras, experiência, ou pratica” [10], mas, a competência interpessoal que “É a habilidade de lidar eficazmente com relações interpessoais, de lidar com outras pessoas de forma adequada às necessidades de cada uma e as exigências da situação” [10] não é adquirida da mesma forma, o Profissional precisa ter auto conhecimento, percepção, habilidade e flexibilidade em lidar com situações diferentes, capacidade criativa para solucionar problemas, capacidade em dar e receber feedback, mas, segundo (George) [11] “À medida que o relacionamento da enfermeira e do paciente desenvolve-se ela pode escolher como praticar a enfermagem, usando diferentes habilidades e capacidades técnicas e assumindo vários papeis”.

É da maior importância que o enfermeiro trabalhe com o cliente e a família de forma que juntos possam reconhecer, esclarecer e definir problemas existenciais; O enfermeiro deve ter visão holística, estar atento não só ao cliente hospitalizado, mas, a seus familiares também, que correm o risco de diminuição de atenção, irritabilidade, podendo estar comprometida a capacidade de entender as normas e rotinas da instituição, cabendo ao enfermeiro e outros membros da equipe multidisciplinar direcionar e esclarecer suas duvidas; Essa é uma das 4 fases identificadas por Hildegar Peplau (1909-1999) ,Enfermeira idealizadora da Teoria de Enfermagem em Relacionamento Interpessoal ela ” Identifica quatro fases nos relacionamentos interpessoais: (1) Orientação, (2) Identificação, (3) Exploração, (4) Resolução“[11].

Na fase (1) o enfermeiro deve estar consciente de suas reações pessoais ao cliente; ele pode reagir de maneira diferente ao cuidar de clientes diferentes “A reação ao cliente é influenciada pela cultura, a religião, a raça, aos antecedentes educacionais, as experiências, as idéias pré-concebidas e as expectativas” [11], Os mesmos fatores podem influenciar a reação do cliente ao enfermeiro, que pode ter uma imagem estereotipada do ao enfermeiro como por exemplo alguém de caráter duvidoso, talvez por rações históricas, no inicio quando a enfermagem ainda não era reconhecida como profissão, era praticada por leigos, sem técnicas cientificas e longe de praticar atos de humanização, segundo historiadores a profissão era praticada por bêbados,mendigos,prostitutas, acredito que por essa razão ainda sofremos preconceitos, algumas pessoas devem ver o profissional de enfermagem como alguém apenas capacitado para realizar procedimentos técnicos,longe de ser um profissional à Contribuir para a definição seu diagnostico e influenciar na sua recuperação.

Na fase (2) de Identificação “O paciente responde seletivamente, as pessoas que podem preencher as suas necessidades” [11] cada paciente responde diferente nesta fase “A resposta ao enfermeiro ocorre em três etapas (1) participar com a enfermeira e ser independente dela; (2) ser autônomo e independente da enfermeira (3) ser passivo e dependente da enfermeira” [11].

Fase (4) Exploração “O individuo começa a sentir-se parte integrante do ambiente de auxilio e da inicio ao controle da situação extraindo ajuda dos serviços oferecidos[11], o cliente começa a entender a importância das orientações relativas ao seu tratamento, tira duvidas com o profissional, durante essa fase alguns clientes podem ser mais exigentes do que na fase anterior, quando estavam seriamente doentes, podem fazer muitas solicitações sem necessidade, para chamar atenção, essas atitudes podem ser difíceis de entender pó quem presta o atendimento; Nessa fase deve ser mantido um relacionamento terapêutico, pelo enfermeiro, que possa transmitir uma atitude de aceitação, preocupação e confiança. Nessa fase os esforços do cliente e da enfermagem já supriram as necessidades do cliente, ambas precisam terminar seu relacionamento terapêutico e disfazer os laços existentes entre eles, o cliente precisa dissolver o vinculo de dependência, ser capaz de seguir seu”. Tratamento sem a ajuda do enfermeiro, que já lhe ofereceu todos os cuidados e orientações necessárias, e o fez apto a segui-las. O enfermeiro também precisa ser capaz de dissolver esse vinculo com seu cliente deixando-o seguir sozinho, “Em uma resolução bem sucedida, o paciente afasta-se da identificação com a pessoa que o ajudou, A enfermeira. Torna-se então, Independente da enfermeira assim como ela torna-se independente dele” [11].

Como resultado deste trabalho de relacionamento interpessoal ambos torna se indivíduos mais fortes e amadurecidos.

CONCLUSÃO

Através do estudo concluoi que o enfermeiro contemporâneo vê-se diante de mais um desafio em sua vida profissional; o de ser um agente responsável pela melhoria na qualidade da assistência a seus clientes, que deseja ser chamado pelo nome, exige conforto e segurança,exige seus direitos de cidadão, deseja garantia de segurança.

De acordo com os estudos realizados em diversas bibliografias para elaboração deste artigo cientifico sobre relacionamento interpessoal entre a clientela hospitalizada e o profissional de enfermagem, observamos que na pratica de enfermagem toda a assistência ao individuo se processa em nível de reação interpessoal, e que devido ao estresse do dia a dia, a falta de conhecimento de si mesmo, preconceitos, comunicação ineficaz, entre outros fatores podem interferir nessa relação, na maioria das vezes o relacionamento enfermeiro - cliente fica prejudicado, se tornando um fator negativo no desenvolvimento das funções do profissional e no tratamento do cliente hospitalizado; Mas o profissional de enfermagem moderno, com visão holística, que cuida do todo e de suas partes, se preocupa com a relação interpessoal com seus clientes, a fim de proporcionar um ambiente saudável para sua estadia e seu tratamento, investindo em competência técnica, através de cursos, palestras, congressos, entre outros recursos, e em sua competência interpessoal, pois, só assim o cliente poderá se sentir seguro e cuidado por profissionais saudáveis e com qualidade de vida.

Mesmo com o avanço da tecnologia nada afastara o enfermeiro da ciência e da arte de servir.(Nursing) ·[12]

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

  

1- Minayo, M. C. - O Desafio do Conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. 1999 p.22, 6ª ED.S. Paulo: R. Janeiro.

 2 - Potter, Patrícia A; Perry, Anne G. - Grande Tratado de Enfermagem Pratica - 3ª. Ed.2002 p.146, 154, Editora Santos - S.P.

3 - Simões, Edda Augusta Quirino - Psicologia da Percepção, 1985,p.09, Editora Pedagógica e Universitária, S.P.

4 - Site;http//www.wikipedia.org-( acessado em 17/10/2007 às 15h)

 5 - Caetano, J.L. Relações Interpessoais-Apostila do Instruendo, 2004, p.05, 09, Editora Sest/Senat - RJ.

6 - Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda – Mini Dicionário da Língua Portuguesa, 4ªed., 2001,p. 295, Editora Nova Fronteira.

 7 - Machado, William César Alves –Reabilitação, 3ªed, 2003, p.20, 21, Editora Difusão

 8 - .Stefanelli, Maguida C.- Comunicação com o Paciente-Teoria e ensino, 2ª ed.1993,p.30, 35, Editora Robe, S.P.

 9Knapp, Mark. L.- Comunicação não verbal na Interação Humana, 1999,p.06, Editora JSN.

 10 -- Moscovici, Felá-Desenvolvimento Interpessoal: Treinamento em Grupo, 15ªed 2005,p.36,54,47, Editora José Olimpio-RJ.

 11 - George, J.B. -Teoria de Enfermagem: Os fundamentos a Pratica de Profissional, 4ª ed,p.46, 48, 49, 50, 2000 Editora Artmed.

 12 – Nursing, Revista Técnica de Enfermagem, n°42, 2001, pág13, Editora Ferreira & Bento do Brasil LTDA.

Jaqueline Castilho de Oliveira

Bacharel em Enfermagem pela UCL- Universidade Celso Lisboa, RJ- Professora do Curso Técnico de Enfermagem Colégio Presidente Kennedy, Autora/Relatora do trabalho Postêr no 10°CBCENF/2007-Curitiba "A Importância do Exame Fisíco Cardiovascular realizado por acadêmicos de Enfermagem" - 11° CBCENF/2008-Belém " A Importância da Atuação do Enfermeiro na Sala de Espera"

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