Analisando o game Harry Potter And The Order Of The Phoenix Nossa Senhora do Socorro, Sergipe

"Harry Potter and the Order of the Phoenix" vai além dos filmes, oferecendo ao jogador uma extensa aventura", opina o engenheiro Luiz Soares. Confira outras sugestões sobre o desempenho desse game. Saiba também sobre a versão desenhada para o Wii.

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Analisando o game Harry Potter And The Order Of The Phoenix

Não é mistério: games baseados em filmes sofrem com uma espécie de "maldição" que os relega a ficar quase sempre muito aquém das emoções da telona - uma das principais causas do problema é o tempo de produção reduzido, já que normalmente os jogos precisam acompanhar a estréia nos cinemas. Contudo, o bruxinho Harry Potter conseguiu fugir um pouco à regra (ou seria à maldição?), o que se repete em "Order of the Phoenix" ("A Ordem da Fênix", no Brasil.

A vida em Hogwarts

Com exceção dos para portáteis, a aventura é a mesma para todos os consoles e para o PC. Contudo, cada versão tira proveito das características de sua respectiva plataforma. No Wii há um extenso uso do controle remoto para a simulação da varinha mágica; no Xbox 360 e PlayStation 3 os gráficos são superdetalhados; no PC, Harry e sua trupe ganharam uma dublagem em português que, se não é perfeita, deixa o jogo mais divertido para nós, brasileiros.

Um dos motivos pelos quais "Harry Potter and the Order of the Phoenix" não se trata de uma mera adaptação tosca para os games é que em vez de se prender aos eventos do filme ele vai além, oferecendo ao jogador uma extensa aventura dentro do imenso universo criado por J. K. Rowling.

Finalmente, a Electronic Arts parece ter encontrado a fórmula ideal para um jogo da popular franquia. Em vez de forçar a barra e fazer de "A Ordem da Fênix" um jogo de ação e plataforma, como os anteriores, a desenvolvedora optou por um gênero mais adequado à série: aventura, aos moldes de "Shenmue", com muitos diálogos, exploração e minigames - guardadas as devidas proporções, é claro.

A história é a mesma do quinto livro e filme, em que Harry, já crescidinho, precisa recrutar um exército de bruxos em resposta às ordens da nova diretora da escola de Hogwarts, que se recusa a lecionar aulas de magia contra as artes das trevas. E com a eminente volta do Lorde Voldemort, os alunos sentem-se ameaçados e decidem aprender tais magias sozinhos.

Aqui, você vivenciará a rotina do bruxo e de seus amigos inseparáveis na gigantesca Hogwarts, passando a maior parte do tempo andando e vasculhando a escola, retratada com muita fidelidade aos livros e filmes, e apresentando todos seus aposentos: pátios, salas de aula, corredores, dormitórios e mais. E por mais estranho que pareça, é muito divertido viver o dia-a-dia do bruxo.

As tarefas vão das mais banais às mais interessantes, sempre envolvendo bate-perna, busca por itens e personagens, conversas aleatórias nos corredores e, ocasionalmente, batalhas com varinhas mágicas. Para auxiliar o jogador, há o Mapa do Maroto, um documento mágico que mostra a localização de todas as salas de Hogwarts, tal como a posição de todas as pessoas que se encontram na escola.

Se seu objetivo é visitar determinada sala ou encontrar certo personagem, basta selecionar seu nome em uma lista que o mapa mostrará para onde você deve ir. Mesmo com ele fechado, pegadas no chão indicam em tempo real o caminho a ser seguido, permitindo que você chegue a seu destino com facilidade.

Durante o percurso, é inevitável encontrar outros alunos pelos corredores de Hogwarts. A interação é bastante limitada, resumindo-se a uma troca de palavras entre o personagem protagonista e o figurante. Ainda assim, é divertido poder falar com todos, principalmente quando o figurante faz algum comentário maldoso com Harry.

O problema é que existem poucos modelos para os estudantes, resultando em situações bizarras como o encontro entre três ou mais garotas idênticas em um mesmo local. As telas de carregamento aqui são inexistentes, mesmo nas transições de grandes áreas de Hogwarts, deixando o jogo bastante dinâmico.

As centenas de objetos interativos espalhados pelos cenários impedem que o jogo caia na repetição ou torne-se enfadonho. São tarefas opcionais que quando realizadas lhe garantem pontos que aumentam o poder das magias de Harry e alguns troféus em uma sala de recompensas.

Existem quadros para serem encaixados de volta nas paredes, tochas para serem acesas, passagens secretas a serem descobertas, camas a serem feitas, dentre muitas outras coisas. E, obviamente, você terá que usar sua varinha mágica para realizar todas as ações.

"Wiingardium Leviosa"

Na versão para o Wii, os controles são os mais interessantes, com magias ativadas através de movimentos do próprio Wii-Remote. Puxando o controle para sua direção você lança o feitiço Accio, usado para atrair objetos, ao contrário de Depulso, que com o movimento oposto faz repelir o alvo. Reparo, lançado para consertar objetos quebrados, é feito com movimentos circulares; Reducto, com o movimento inverso, destrói o objeto.

Outros oito feitiços disponibilizados ao longo do jogo possuem seus próprios movimentos e servem para as mais variadas ocasiões, incluindo combates. Estes são esporádicos e, para falar a verdade, mais irritam do que divertem. Para se dar bem, é preciso prestar bastante atenção aos gestos e expressões do oponente, que indicam se o oponente atacará, defenderá ou se está perdendo - já que não existem barras de energia na tela. Nesses casos, porém, os comandos são lentos e o personagem nem sempre realiza a ação desejada.

Ver Harry acompanhando o mesmo movimento do jogador enquanto segura sua varinha mágica torna a realização dos feitiços muito mais prazerosa. Apesar das outras plataformas possuírem controles mais convencionais, realizar as magias funciona da mesma maneira, basicamente. No PC, os movimentos são transferidos para o mouse, enquanto no Xbox 360 e PlayStation 3, para o direcional analógico direito - o que inevitavelmente tira um pouco da graça do sistema de feitiços.

Compensando no visual

O ponto forte de "A Ordem da Fênix" para os novos consoles da Microsoft e Sony são, naturalmente, os gráficos, com qualidade muito superior às versões para PlayStation 2, Wii e PC. Os cenários são mais detalhados, possuem melhor iluminação, texturas mais definidas, além de modelos de personagens muito mais próximos dos atoreis reais. Outra vantagem é a taxa de quadros, superior à das outras versões, que trazem aquelas engasgadas constantes.

A dublagem em português da versão para PC tem seus altos e baixos. As vozes de Harry e Hermione, por exemplo, captam bem o espírito jovial e entusiasta dos personagens. A grande maioria dos personagens secundários, no entanto, possui vozes genéricas ou bastante forçadas, revelando um certo amadorismo.

A falta de adaptação de algumas piadas e expressões para a língua portuguesa também compromete o entendimento de certas passagens. Há falas que parecem simplesmente não fazer sentido, mas pelo menos tornam o jogo mais engraçado. Ao menos a Electronic Arts manteve disponível a excelente dublagem original, em inglês, que conta com as vozes de diversos atores do filme.

Feitiçaria divertida

"Harry Potter and the Order of the Phoenix" mostra como deve ser a adaptação de um filme para os games. É um jogo bom, concreto e divertido, principalmente para quem é fã da série. Explora o universo criado por J. K. Rowling como nunca nos jogos, apresentando uma mecânica sólida dos jogos de aventura - até agora, a que melhor combinou com a série. Só não deixe para assistir o filme depois de jogar, pois aqui o desenvolvimento do enredo é um ponto negativo.

Luiz Soares

Luiz Soares, formando em Engenharia pela UNICAMP, editor do Jogos Online Gratis , Jogos de Carros e Jogos de Vestir

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