Analisando a cirurgia plástica em adolescentes Manaus, Amazonas

Meninas de 13 anos já estão na mesa de cirurgia plástica. Até os 15, a febre é a lipoaspiração. Aos 16, elas turbinam os seios. Em nome da beleza elas nao reclamam de dores, inchacose nem dos hematomas. Veja mais no artigo abaixo.

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Analisando a cirurgia plástica em adolescentes

Meninas de 13 anos já estão na mesa de cirurgia plástica. Até os 15, a febre é a lipoaspiração. Aos 16, elas turbinam os seios. Em nome da beleza, as adolescentes entram na faca sem medo dos riscos e nem se queixam da dor, do inchaço e dos hematomas

"Se ainda vivesse no Uruguai, não sentiria o desejo de mudar. Nem meus pais aprovariam. Lá, quem põe silicone é atriz fútil ou gente de muito dinheiro"
                                                 EIMMY, 17 ANOS E PRÓTESE DE 275 ML NOS SEIOS

Por que adolescentes se submetem à plástica?

A resposta costuma ser uma só: "auto-estima baixa". Nenhuma de nossas entrevistadas se arrependeu do que fez. Explicação unânime: sentem-se muito mais seguras e felizes hoje.A declaração emblemática veio da paulistana Evelise Teixeira, 16 anos, que escolheu o peito novo folheando revistas e fixando o olhar no colo de Deborah Secco, inflado por 235 mililitros de silicone. Evelise, já com a réplica do que a atriz ostenta, resume o espírito da época: "É assim - ou você tem beleza, tem peitão ou não é ninguém". Franca, enumera: "Nas novelas, toda garota tem, no cinema idem, no colégio há várias... até a secretária do meu pai está com os seios da moda". O redesenho do corpo se tornou uma necessidade teen - até os garotos resolveram aderir. E, para atender à explosão da demanda, as clínicas estão a todo vapor. No Brasil, cerca de 650 mil intervenções foram realizadas em 2005, 15% em jovens de 14 a 18 anos (nos Estados Unidos, não passa de 7%). Eles não desistem mesmo sabendo que o pós-operatório será sofrido."Me informei e fui", conta Ana Carolina Varella, 17 anos, há dois com o nariz perfeito e arrebitado. "Por 20 dias fiquei feia, roxa, inchada a ponto de não abrir os olhos, mas faria de novo." Vendo a foto de Ana antes da cirurgia, no prontuário da clínica, ninguém diria que era caso de bisturi. O mesmo vale para o carioca Luciano∗, 17 anos. Moreno, do tipo Gianecchini, chegou a trabalhar como modelo e nunca ouviu um só comentário de que seu nariz fosse torto, grande ou largo. "Os outros não notavam, mas para mim era um tormento", diz. A operação foi desaconselhada pela cirurgiã, que, vencida pela insistência, fez ajustes sutis. "Agora, chamo ainda mais a atenção." Ele está convicto de que "a ciência e a tecnologia existem para resolver os incômodos". A curitibana Alexia Bourbon acrescenta: "A gente deve usar o que puder para melhorar as chances". Ela trocou a festa de 15 anos por uma lipo. "Minha irmã fez o mesmo, abriu mão do carro que ia ganhar aos 18. Do manequim 44, secou para o 40. Nessa hora, a gente pesa o que traz mais vantagem." Em 2005, a MTV pesquisou 2359 jovens de sete capitais e descobriu que 60% deles acreditam que pessoas bonitas têm mais oportunidades na vida. Do grupo, 55% aprovam a cirurgia estética. Ao escolher a palavra que caracteriza a geração, 37% optaram por vaidade. Não só por frivolidade, mas movida pela pressão do meio, Eimmy Kaitazoff, 17 anos, colocou 275 mililitros de silicone no peito. Nascida no Uruguai, mudou-se aos 11 anos para o Brasil e notou uma enorme diferença. "As garotas da mesma idade já tinham formas arredondadas. Aos 13, assumiam atitudes de mulher, beijavam e trocavam de garotos, enquanto eu era infantil e deslocada." Com a nova identidade, adquirida na mesa de cirurgia, Eimmy adotou decotes e biquínis com desenvoltura. "Se continuasse no Uruguai, não sentiria o desejo de mudar. Nem meus pais aprovariam. Lá, quem põe silicone é atriz fútil ou gente de muito dinheiro." Mas aqui, ela teve de aprender, é sinal de feminilidade e de poder. "Não vejo problema na garota que quer ser um mulherão", afirma Ana Helena Patrus, dona da Clínica Santé, em São Paulo, onde celebridades como Xuxa, Deborah Secco e Vera Fisher retocam a silhueta. "Basta que a menina esteja madura para a escolha e o desenvolvimento físico tenha estabilizado." Como saber se um jovem está pronto para cair na faca? Aos 13 anos, Gisele∗ foi considerada apta, fez rinoplastia e retirou 5 litros de gordura, na Santé, segundo a mãe, Tânia∗. "Minha filha tem 1,70 metro e agora pesa pouco mais de 60 quilos. Ela sempre foi grande, começou a engordar muito, passou pelo endocrinologista, pelo psicólogo e eles apoiaram a intervenção." Há casos em que ela é indicada. Mas, na opinião de Noel Lima, cirurgião da Clínica das Palmeiras, no Rio de Janeiro, a maioria das mães que o procuram é perfeccionista e deseja que os filhos sejam verdadeiras esculturas. "Elas trazem as meninas e conduzem a consulta apontando o que deve ser mexido", relata. "Se não vejo necessidade, não opero." Em Brasília, a empresária Carolina Amaro, 49 anos e oito plásticas, encontrou há dois anos uma clínica que atendesse a filha Eduarda. Hoje com 16 anos, coleciona "artefatos" estéticos, como prótese mamária, lipo abdominal, lipo no culote e Botox ® entre o nariz e as sobrancelhas. "Enfrentei a resistência do meu marido e do namorado dela. Também deixei de fazer intervenções em mim para investir num corpo perfeito para minha filha", afirma Carolina, que acredita ter livrado a garota "da timidez e do complexo".

No supermovimentado consultório de Loriti Breuel, no bairro paulistano do Itaim, é diferente. "Em geral, a família não quer. Vem para não ter um rebelde em casa", conta a médica sobre os embates a que assiste. Se noto que a plástica é vital para a menina, jogo no time dela. Digo ao pai que se sentirá mais confiante num vestido longo, sequinho. Linda, também se tornará autônoma." Certa vez, uma garota pediu uma lipo a Loriti. "Olhei de frente, era magrinha. De costas, aparecia um quadradinho acima do jeans de cintura baixa. Tirei, então, 200 gramas de cada lado. Precisar, não precisava, mas ela ficou tão alegre que me senti recompensada." Loriti, com inúmeras plásticas no corpo, entende quem sofre por estética: "Eu tinha dentes feios, evitava sorrir, escondia a boca para falar". A cirurgiã estendeu seus préstimos aos filhos, quando adolescentes: em Lori, fez um belo nariz e recheou as mamas. Rony teve barriga e papada "lipadas". Seu bisturi é requisitado por empresários de modelos. "Eles adequam as meninas às exigências do mercado. Às vezes, a modelo é bonita, mas não fica bem na foto. Saindo daqui um produto melhor, ganhará dinheiro."

A plástica passou a ter status de negócio. E rentável. Nas clínicas grandes, um par de peitos, nariz, lipo de abdome, as coxas, custam caro. Mas podem ser contratados por um terço do preço em financeiras que intermedeiam as relações entre os fregueses e os especialistas de plantão. Virou produto de consumo, parcelado em até 24 vezes, em quiosques de shopping e supermercado. "Eles oferecem uma ilusão cirúrgica sem avaliação médica", diz Lavínio Camarim, coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Regional de Medicina, em São Paulo. "É um crime: os vendedores chamam quem passa e indicam o serviço como se medicina fosse um balcão." Lavínio triplicou, em maio, os membros da comissão que investiga a venda de serviços médicos. "Não esperamos a denúncia chegar, fazemos uma busca ativa." Embora o CRM tenha aberto sindicância contra hospitais ligados ao marketing de quiosque e a despeito de o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Osvaldo Saldanha, pedir providências ao Ministério Público, as ofertas continuam estampadas em sites de cirurgiões e até na traseira de ônibus urbanos. Em junho, um coletivo percorria o popular largo da Batata, na capital paulista. Anunciava a empresa Multiplástica com um apelo do gênero: a plástica que vai realizar seus sonhos. Por e-mail, pede-se a consulta. Pelo telefone, uma funcionária informa que na financeira ficam sete médicos prontos para avaliar o que é preciso cortar para ser feliz.

Pressão psicológica

O frenesi da cirurgia é associado pelo psicanalista Oscar Cesarotto, doutor em comunicação e semiótica, ao padrão criado pela mídia e à demanda que ela instalou. "Quando uma jovem chega a dizer que quem não tem peito não é nada, demonstra a pressão que sofre", afirma. "O adolescente acredita piamente que é um zero à esquerda porque deixou de ser criança, não é adulto nem se reconhece no novo corpo." Para amenizar a situação, obriga-se a seguir o modelo da TV, que determina que todo corpo seja igual. Desde que a civilização existe, a beleza é considerada um valor. A crítica de Cesarotto é que ela passou a ser também uma mercadoria. "Diante da queixa de auto-estima baixa, alguns profissionais entendem que podem oferecer a cirurgia como solução." Beleza, para o psicanalista, não é mais um dom natural, e sim uma aquisição, algo artificial. "Ela é difundida como recurso para resolver inquietações internas." Nem que para isso seja preciso sofrer e se mutilar. Segundo Cesarotto, os jovens não se importam com a dor. "Colocam piercing, fazem tatuagem e enfrentam plásticas em série. A dor virou um rito de passagem." Outro traço da geração é a instantaneidade. "Querse tudo já, e a plástica faz essa mágica." A conseqüência pode ser a dificuldade de amadurecer. Um adolescente precisa lidar com seus limites, que, na mesa cirúrgica, são mascarados. Com a personalidade em formação - e prorrogando a indefinição -, vai demorar ainda mais para saber quem ele é.

Sérios riscos

No rastro da febre da plástica, ocorrem denúncias de mutilações, necroses e outros descalabros. Nos últimos quatro anos, só em São Paulo, seis profissionais foram cassados por imperícia médica e dois - por propaganda irregular - recorrem ao Conselho Federal de Medicina. "Os jovens desprezam, mas há riscos até nas operações simples, com anestesia local", afirma a cirurgiã Nadja Alexim, de Brasília. "Pode haver reação alérgica ou intoxicação por superdosagem, o que causa depressão respiratória e até parada cardiorrespiratória." Sem contar que a cânula utilizada na lipo, se não for bem dirigida, perfura órgãos. Mesmo quando é bem-sucedida tecnicamente, a cirurgia precoce preocupa. "A prótese em uma menina de 14 a 16 anos, por exemplo, é contra-indicada", diz o cirurgião paulista Wilson Andreoni, delegado do Conselho Regional de Medicina. "A mama vai crescer e chegará aos 18 anos com um volume bem maior. Somando o peso natural ao do silicone, o resultado será uma ptose, ou seja, o peito vai cair." Na situação inversa, quando a garota quer reduzir a glândula, pode ocorrer agressão a pontos vitais, interferindo em fatores de crescimento que vão levar à involução e provocar problemas estéticos até mais sérios. "Há possibilidade ainda de as alterações comprometerem o poder de aleitamento", lembra Andreoni.

∗ NOMES TROCADOS A PEDIDO DOS ENTREVISTADOS
REALIZAÇÃO NORIS MARTINELLI/PRODUÇÃO SYLVIA RADOVAN

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