Analisando a agricultura orgânica e a Saúde Sócio-Ambiental Brasília, DF

Veja uma breve análise sobre a agricultura orgânica e a saúde sócio-ambiental. A adoção de práticas orgânicas na produção de alimentos prevê conseqüências ambientais perceptíveis na qualidade dos alimentos, na fertilidade do solo, na qualidade de vida dos animais e seres humanos. Entenda mais abaixo.

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Analisando a agricultura orgânica e a Saúde Sócio-Ambiental

Publicidade No artigo anterior dissertamos sobre a relação valor nutricional e toxicidade dos orgânicos e saúde. Sob o enfoque ampliado de saúde, é possível também relacionar a Agricultura Orgânica ao contexto ambiental, que repercute diretamente em quem vive nesse ambiente e, também, ao contexto sócio-cultural da promoção de saúde e de qualidade de vida.

A forma de produção de alimentos dentro do padrão convencional tem sido responsável pela contaminação de lençóis freáticos, rios e oceanos, comprometendo a fertilidade do solo, destruindo a biodiversidade e fortificando a dependência de energia petroquímica e dos agroquímicos. A questão fundamental que surge é: como é possível ser saudável em um ambiente insalubre e doente?

A adoção de práticas orgânicas na produção de alimentos prevê conseqüências ambientais perceptíveis na qualidade dos alimentos, na fertilidade do solo, na qualidade de vida dos animais e seres humanos que optam por viver em um ambiente com menos substâncias tóxicas, onde se mantenha a diversidade biológica da flora e da fauna, as águas mais limpas, o clima equilibrado e o ar menos poluído. O equilíbrio do ambiente fica, assim, irremediavelmente ligado ao conceito de saúde humana e a AO torna-se um instrumento essencial na promoção da saúde ambiental.

No aspecto de saúde social, a AO também representa uma perspectiva importante, se estiver vinculada a Agricultura Familiar e a dignificação do agricultor como propõe nossa legislação (ver artigo I).

O agricultor familiar, relegado ao papel secundário no processo produtivo, deve reassumir, dentro da AO, as condições para resgatar uma forma de produção de alimentos de qualidade, que, inserida num contexto de organização social mais justo e solidário, promova a saúde humana, a cultura local, o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida.

É extremamente atual e importante o desenvolvimento do sistema familiar orgânico de produção, pois se enquadra no conceito de ecologia e qualidade de vida com abordagem de prevenção de doenças e um enfoque social e ambiental que nossa sociedade não pode mais ignorar.

Somente dentro dessa perspectiva, o meio rural tende a se configurar como um espaço de promoção de qualidade de vida para a sociedade rural e urbana. Porém, o rural só pode ganhar tal dimensão se o sistema produtivo adotado tiver a mesma percepção dessa noção. Um sistema produtivo que promova qualidade de vida deve ter como prioridade a preocupação de preservar o meio ambiente, de dignificar socialmente o agricultor, de valorizar a cultura local e o saber tradicional e de produzir alimentos saudáveis.

A natureza preservada repercute positivamente também na qualidade de vida do meio urbano. O citadino também pode se beneficiar dessa forma de produção na medida que é provido de alimentos mais saudáveis e de água de melhor qualidade . Lembre-se se que o agricultor pode cuidar da qualidade da nossa água ou contribuir para polui-la! Além disso, acreditamos que um processo de revitalização e reorganização social do meio rural pode repercutir em melhor qualidade de vida no meio urbano, em cidades mais equilibradas em seu número de habitantes, em menores índices de desempregos e menos violência.

Resumindo: o consumidor, ao comprar o produto orgânico de origem familiar, paga também por um seguro saúde a longo prazo e por um meio ambiente mais preservado e uma sociedade mais justa socialmente. É nessa perspectiva de saúde a longo prazo que o alimento orgânico pode ser discutido e compreendido.

Nota: É proibida a reprodução deste texto em qualquer veículo de comunicação sem a autorização expressa do autor. Só serão permitidas citações do texto desde que acompanhadas com a referência/crédito do autor.

Fonte: Dra. Elaine de Azevedo

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